Tesouro poupa em emissão a 3 meses, mas paga mais a 11 meses
O Estado financiou-se a 2,1% a três meses, menos de metade do que pagava há dois anos, mas viu os juros subir para 2,5% na emissão a 11 meses, captando no global 1.875 milhões de euros.
O IGCP, liderado por Pedro Cabeços, realizou esta quarta-feira o primeiro leilão de dívida de curto prazo do segundo trimestre por via de duas linhas de Bilhetes do Tesouro a 3 e 11 meses, que resultou no financiamento de 1.875 milhões de euros, ficando assim acima dos 1.750 milhões colocados como limite máximo do intervalo do montante indicativo global (entre 1.500 milhões e 1.750 milhões de euros), anunciado pela agência responsável pela gestão da dívida pública.
Na emissão a 3 meses, realizada pela reabertura da linha BT17JUL2026, o Tesouro pagou 2,103% para se financiar em 875 milhões de euros, contando com uma procura 2,32 vezes acima da oferta. No último leilão a 3 meses, realizado a 19 de junho de 2024, a República tinha pago 3,646% para colocar no mercado 850 milhões de euros, tendo na altura contado com uma procura 1,7 vezes acima da oferta.
Na emissão a 11 meses, realizada pela reabertura da linha BT19MAR2027, o IGCP colocou no mercado 1.000 milhões de euros ao preço de 2,475%, com a operação a contar com uma procura 2,17 vezes acima da oferta. No último leilão com características semelhantes, realizado a 18 de fevereiro, o Estado pagou 2,015% para se financiar em 875 milhões de euros, tendo contado com uma procura 2,46 vezes acima da oferta.
As operações realizadas esta quarta-feira resultaram assim num custo de 154,3 pontos base inferior no caso do leilão a 3 meses e um custo de 46 pontos base superior no leilão a 11 meses, em comparação com as últimas operações de características semelhantes.
“O aumento das tensões com o Irão e a incerteza geopolítica “traduziu-se numa subida generalizada da curva de taxas de juro, o que justifica os níveis mais elevados observados neste leilão face ao período anterior ao conflito“, refere Filipe Silva, diretor de Investimentos do Banco Carregosa.
O próximo leilão de Bilhetes do Tesouro está agendado para 20 de maio com a realização de uma emissão a 6 meses (pela reabertura da linha BT20NOV2026) e outra a 12 meses (pelo lançamento da linha BT21MAI2027), num montante indicativo global entre 1.750 milhões e 2.000 milhões de euros, segundo o Programa de Financiamento da República Portuguesa para 2026 para o segundo trimestre.
(Notícia atualizada às 11h14 com declarações de Filipe Silva do Banco Carregosa)
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