Todos à procura de combustível com bombas fechadas em Maputo

  • Lusa
  • 15 Abril 2026

O centro da cidade de Maputo está a ser marcado com filas de centenas de metros, congestionamentos generalizados e postos de abastecimento encerrados, sem gasolina ou gasóleo.

Filas de centenas de metros, congestionamentos generalizados e postos de abastecimento encerrados, sem gasolina ou gasóleo, marcaram quarta-feira o centro da cidade de Maputo, com automobilistas desesperados e outros já de tanques vazios a serem empurrados pela rua.

A meio da manhã, Manuel Ponge, motorista de transporte por aplicativo em Maputo, espera para poder meter o máximo permitido pelas gasolineiras de 1.000 meticais (13,2 euros) de combustíveis num dos poucos postos ainda abertos na capital moçambicana.

Bastante crítico, como se pode ver“, descreve, por entre os congestionamentos no trânsito provocados pelas filas de dezenas de carros parados em várias bombas à procura de abastecer, mas sobretudo a guardar lugar para o fazer quando o combustível chegar.

Durante a manhã de quarta-feira percorreu vários postos à procura de combustível e deparou-se com vários, a generalidade, encerradas e funcionários sentados no chão, sem trabalho, até soube de uma aplicação de telemóvel desenvolvida nas últimas horas e que está a ser fortemente partilhada por atualizar regularmente as ‘bombas’ abertas e a abastecer.

“Vi lá na aplicação e vim para aqui. Estou há 25 minutos aqui”, explica, admitindo que ainda tem combustível no seu carro “económico” para trabalhar no transporte de passageiros por três dias.

O Governo moçambicano já tinha reconhecido na terça-feira “pressão” sobre os postos de combustíveis, ao começarem a surgir, esta semana, enormes filas para abastecer, face a receios de rutura de ‘stock’ e subida de preços devido ao conflito no Médio Oriente, apesar das garantias de ‘stock’ suficiente no país até maio.

“Efetivamente, temos estado a acompanhar alguma pressão sobre as bombas. A informação existente é que há disponibilidade, ainda, de ‘stock’. Eu não poderia aqui transmitir a mensagem de quantos dias, quantas semanas, mas este é um assunto de seguimento diário ao nível do Governo”, disse o ministro Salim Valá, porta-voz da reunião semanal do Conselho de Ministros, realizada terça-feira em Maputo.

Desta forma, o Governo associa as filas à “dinâmica económica” baseada “em perceções e expectativas”.

“Os novos preços vão ter que chegar”, disse na terça-feira o Presidente da República, justificando a situação dos combustíveis com a guerra no Médio Oriente, que afeta Moçambique, cujas importações dependem em 80% do envio através do estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irão e agora pelos Estados Unidos da América.

“Enquanto a guerra continuar não vamos conseguir continuar a esticar a corda [dos preços atuais, ainda sem aumentos] por muito mais tempo”, afirmou Daniel Chapo.

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