Exclusivo Famalicense Ysium que faz peças para o tanque Leopard 2 investe 1,5 milhões em Defesa

A Ysium prevê faturar 10 milhões de euros este ano. Tem na mira a área da defesa onde, em nove anos, investiu seis milhões de euros. Produz estabilizadores para o tanque de guerra Leopardo 2.

Ysium, Vila Nova de FamalicãoSP/ECO 16 abril, 2026

A famalicense Ysium – Soluções de Engenharia Avançada, a “única” empresa portuguesa a produzir o estabilizador da cápsula direcional do tanque militar Leopard 2 e miras telescópicas para as armas usadas pelos snipers, vai investir este ano 1,5 milhões de euros só na área da defesa. O anúncio foi feito ao ECO/eRadar pelo CEO Hugo Freitas que já investiu um total de seis milhões desde que, em 2017, arrancou com a produção de componentes militares na antiga unidade industrial da Leica.

Foi em 2017 que Hugo Freitas, engenheiro de materiais, viu na indústria da defesa uma janela de oportunidades e um nicho ainda por explorar no país. Já com experiência na produção de componentes para o setor da ótica desde 2014, o empresário aventurou-se no desenvolvimento de “peças para visão noturna, miras telescópicas para tiro, balística e binóculos”, conta ao ECO/eRadar à margem de uma visita da comitiva municipal e de um grupo de jornalistas à unidade industrial, no âmbito do roteiro “Famalicão Created IN”.

Em nove anos o empresário já investiu seis milhões de euros para se posicionar no mapa empresarial militar: “em tratamento de superfícies, maquinaria, controlo, máquinas CNC”, entre outras tecnologias, relata. O resultado está à vista, nota: “O crescimento na área da defesa tem sido exponencial”, prevendo este ano faturar 10 milhões de euros nas várias áreas de negócio, que incluem ainda a aeroespacial, ótica e mobilidade.

Estabilizador produzido pela Ysium, em Vila Nova de Famalicão, para o sistema balístico utilizado no tanque militar Leopard 2.SP/ECO 16 abril, 2026

Focada na engenharia de microprecisão e mecânica avançada, a empresa foi ganhando terreno no mercado internacional, captando a atenção da Alemanha e Estados Unidos, os principais mercados de exportação dos componentes de defesa.

Atualmente também produz o estabilizador da cápsula direcional do tanque militar Leopard 2, ou traduzido por miúdos, “o guia da bala que sai do canhão”, detalha o empresário enquanto nos mostra a peça que assegura ser de maior valor acrescentado.

“Dedicamo-nos a fazer peças de maior valor acrescentado, com um grau de precisão e dimensional muito apertado, na casa das micras, com um tratamento de superfície, com acabamentos”, descreve depois o engenheiro que emprega 70 pessoas às quais dá formação dentro de portas, para trabalharem os componentes com precisão. O salário mais baixo ronda os mil euros.

Hugo Freitas garante ser o único empresário do país a produzir este tipo de componentes militares. Atento ao atual contexto geopolítico, o gestor já tem na mira um objetivo: apostar ainda mais no setor da defesa: “Vou investindo na área militar, conforme a necessidade do mercado e os pedidos dos clientes.”

A trabalhar com todo o tipo de materiais, entre os quais aço inox, alumínio, latão, bronze ou titânio, a Ysium produz igualmente peças para satélites aeroespaciais, como foi o caso do Galileo colocado em órbita.

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