Pilotos portugueses criticam “falta de idoneidade laboral” na Lufthansa e enviam carta ao Governo
O Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil divulgou um comunicado onde critica a companhia alemã, candidata à privatização da TAP, por romper de forma "abrupta e unilateral" o diálogo sindical.
O Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) considera que a Lufhansa agiu com “falta de idoneidade laboral” na recente greve dos pilotos da transportadora alemã e enviou uma carta a “alertar” o Governo sobre o comportamento da candidata à privatização da TAP.
“Num contexto de tensão laboral e de greves legítimas, a Lufthansa terminou de forma abrupta e unilateral o acordo sobre os dias de atividade sindical com os representantes do VC – Vereinigung Cockpit, o sindicato dos pilotos alemães. Esta decisão constitui uma clara restrição ao exercício da atividade sindical e configura uma prática de union busting [que visa enfraquecer ou destruir um sindicato]”, afirma o SPAC em comunicado.
Os pilotos da Lufthansa estiveram em greve nos dias 13 e 14 de abril para reclamar a melhoria das condições salariais e no acesso às pensões complementares. Na sequência do rompimento das negociações, foi convocada nova paralisação para esta quinta-feira e amanhã.
“Preocupa-nos particularmente o facto de a Lufthansa ser um potencial futuro acionista da TAP. Não é aceitável que um eventual proprietário adote táticas de enfraquecimento sindical ou mantenha uma relação pouco ética e pouco construtiva com os seus trabalhadores”, acrescenta o SPAC, que acrescenta que enviou esta quinta-feira “uma carta ao Exmo. Sr. Ministro das Infraestruturas e Habitação alertando para esta situação“.
“O SPAC reitera a sua total solidariedade com o Vereinigung Cockpit e apela à Lufthansa AG para que regresse imediatamente aos padrões internacionalmente reconhecidos no apoio ao envolvimento dos Pilotos no diálogo social”, acrescenta o sindicato.
As companhias aéreas tem estado sob forte pressão este ano devido ao aumento significativo do preço do jet fuel, que poderá em breve começar a faltar na Europa. O presidente da Agência Internacional de Energia estimou em entrevista à Associated Press que isso possa acontecer dentro de seis semanas.
Além do SPAC, também o sindicato francês se solidarizou com o Vereinigung Cockpit. “Quando os pilotos são silenciados, não é só uma questão social, é também de segurança”, afirmou o Syndicat National des Pilotes de Ligne.
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