Portugal estreia-se nas obrigações Dim Sum e capta 249 milhões de euros no mercado chinês offshore

Estado alarga a sua presença nos mercados asiáticos com uma emissão de 249 milhões de euros em obrigações Dim Sum, denominadas em renminbi offshore e colocadas junto de investidores institucionais.

ECO Fast
  • Portugal realizou a sua primeira emissão de obrigações Dim Sum, captando 1.990 milhões CNH, o que equivale a 249 milhões de euros.
  • A emissão contou com uma taxa de juro fixa de 1,765% e permite diversificar fontes de financiamento e atrair novos investidores fora da Europa.
  • Com a nova estratégia, Portugal reduz a dependência dos mercados tradicionais e beneficia de condições de custo favoráveis em tempos de juros elevados.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

Portugal deu mais um passo na conquista dos mercados asiáticos. A 9 de abril, a agência de gestão da dívida pública portuguesa (IGCP), liderada por Pedro Cabeços, realizou a sua primeira emissão de obrigações Dim Sum, títulos denominados em renminbi offshore (CNH) e dirigidos a investidores fora da China continental.

A colocação privada captou 1.990 milhões CNH, o equivalente a 249 milhões de euros, com um prazo de oito anos e uma taxa de juro fixa de 1,765%. O custo é atrativo: após as operações de cobertura cambial e de taxa de juro realizadas em simultâneo, o encargo efetivo ficou abaixo do que Portugal pagaria numa emissão equivalente em Obrigações do Tesouro no mercado secundário.

Esta não é a primeira vez que Portugal recorre ao mercado chinês para se financiar. Em maio de 2019, o IGCP emitiu Panda Bonds — obrigações em yuan destinadas ao mercado doméstico chinês — num montante de 260 milhões de euros, tornando-se um dos primeiros países europeus a fazê-lo.

Ao emitir em renminbi offshore, o IGCP abre portas a uma base de investidores que, de outra forma, dificilmente subscreveria dívida portuguesa, reduzindo a dependência dos mercados europeus tradicionais.

A nova emissão Dim Sum representa, contudo, uma abordagem diferente. Em vez de se dirigir a investidores na China continental, capta capital junto da diáspora financeira chinesa e de investidores institucionais que operam no mercado offshore, sobretudo em Hong Kong.

O IGCP revela em comunicado que a emissão Dim Sum integra-se no programa EMTN (Euro Medium Term Notes) da República, dotado de 15 mil milhões de euros, e faz parte do Plano de Financiamento para 2026, que prevê emissões EMTN até 2,5 mil milhões de euros.

Segundo a agência responsável pela gestão da dívida pública, o programa “permite o acesso a mercados alternativos, diversificar as fontes de financiamento e atrair novos investidores a um custo favorável”. Só este ano, Portugal já colocou 599 milhões de euros em quatro emissões EMTN distintas, refere o IGCP, que ilustram a variedade de instrumentos a que o IGCP tem recorrido.

  • A 18 de fevereiro captou 150 milhões de euros a 12 anos com taxa mista — fixa nos primeiros dois anos e variável depois, indexada à Euribor.
  • A 1 de abril foram 100 milhões a três anos a taxa variável.
  • A 9 de abril por via de uma emissão de Dim Sum bonds, financiou-se em 1.990 milhões CNH (equivalente a EUR 249 milhões) com maturidade de oito anos e com taxa de juro fixa de 1,765%
  • A 15 de abril captou mais 100 milhões a sete anos com opção de reembolso antecipado ao fim do terceiro ano.

Em todas estas operações o IGCP revela que realizou operações de cobertura de risco que permitiram, segundo o comunicado, que “o custo all-in de cada uma das quatro emissões fosse fixado numa taxa de juro inferior à taxa de juro das obrigações do Tesouro transacionadas em mercado secundário.”

A diversificação geográfica e por tipo de instrumento é, cada vez mais, uma marca da estratégia de financiamento de Portugal. Recorde-se que, em setembro, no decorrer da Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública (COFAP), Pedro Cabeços revelou que o IGCP estava a analisar a emissão de ‘defence bonds’.

Ao emitir em renminbi offshore, o IGCP abre portas a uma base de investidores que, de outra forma, dificilmente subscreveria dívida portuguesa, reduzindo a dependência dos mercados europeus tradicionais e aproveitando condições de custo favoráveis.

Numa altura em que os juros na Europa continuam a pressionar os orçamentos públicos, captar financiamento a 1,765%, mesmo que depois ajustado via swap cambial, é um argumento difícil de ignorar.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Portugal estreia-se nas obrigações Dim Sum e capta 249 milhões de euros no mercado chinês offshore

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião