Portugal tem jet fuel para “os próximos meses”, garante a Galp
Empresa afirma que "o consumo está coberto pela produção própria da Galp, disponibilidades de stock e importações". Aeroportos de Lisboa e Porto aumentaram passageiros em março.
Portugal não deverá ter falhas no fornecimento de jet fuel “nos próximos meses”, afirma a Galp em resposta ao ECO, sem quantificar o período exato. Empresa diz estar a adotar medidas operacionais para reforçar a segurança do abastecimento.
“Neste momento, não se antecipam disrupções nos próximos meses, período em que o consumo está coberto pela produção própria da Galp, disponibilidades de stock e importações”, afirma fonte oficial da empresa.
“A Galp mantém sob monitorização constante a disponibilidade de inventários deste combustível, está a adotar medidas operacionais que reforcem a segurança de abastecimento de Jet e a avaliar soluções que contribuam para aumento de armazenagem“, acrescenta.
A empresa produz jet fuel na refinaria de Sines — e tem em curso um investimento de 650 milhões para produzir combustíveis sustentáveis para a aviação e biodiesel — mas o país não tem autonomia total no fornecimento. A Galp explica que “Portugal tem uma dependência parcial do exterior para fazer face às suas necessidades deste combustível, sendo que uma parte importante das cargas têm origem na região do Golfo Pérsico”.
Cerca de 23% do querosene usado pelas companhias de aviação na Europa ficou comprometido com o conflito no Médio Oriente e o bloqueio do estreito de Ormuz. Fatih Birol, diretor executivo da Agência Internacional de Energia, afirmou esta quinta-feira em declarações à Associated Press que “a Europa só tem reservas de jet fuel para, talvez, seis semanas“. Uma situação que, de acordo com a resposta da Galp, não tem paralelo em Portugal.
O preço elevado do jet fuel e a ameaça de indisponibilidade têm levado várias companhias aéreas em todo o mundo a cancelarem voos e a reduzirem a oferta. A companhia aérea holandesa KLM anunciou esta quinta-feira que vai cancelar 160 voos na Europa no próximo mês devido à subida do custo do jet fuel, juntando-se a uma já vasta lista de transportadoras que tomaram a mesma opção. O ECO questionou a TAP se estava a adotar medidas, mas não teve ainda resposta.
Apesar deste contexto, o número de passageiros nos aeroportos portugueses continua a crescer. Segundo dados divulgados esta quinta-feira pela Vinci, o tráfego nos aeroportos da ANA cresceu 4,4% em março e 4% no conjunto do primeiro trimestre.
“Em Portugal, o aeroporto de Lisboa tem beneficiado do aumento dos voos de longo curso operados pela TAP para o Brasil e os Estados Unidos. Entretanto, o aeroporto do Porto registou um forte crescimento do tráfego, sustentado por aumentos contínuos nas ligações transatlânticas, bem como nas rotas para Espanha, o Reino Unido e Itália”, afirma a Vinci em comunicado.
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