Greve contra o pacote laboral pára produção na Autoeuropa

Os turnos da noite e da manhã aderiram à greve contra as alterações ao código laboral e pararam a fábrica de Palmela. Se o turno da tarde também aderir, a empresa vai parar 24 horas.

A produção da Autoeuropa está parada desde a meia-noite porque os trabalhadores aderiram esta sexta-feira à greve convocada pela CGTP contra as alterações à lei laboral, confirmou ao ECO o coordenador da comissão de trabalhadores da fábrica de Palmela. Rogério Nogueira admite que o turno da tarde também poderá aderir, mantendo a paralisação da empresa.

“A Comissão de Trabalhadores e os trabalhadores da Autoeuropa reafirmam a sua firme oposição ao pacote laboral em discussão, por considerarem que o mesmo representa um retrocesso nos direitos dos trabalhadores e um agravamento das condições de trabalho”, disse Rogério Nogueira, ao ECO.

Os turnos da noite e da manhã aderiram à greve contra as alterações ao código laboral e pararam a fábrica de Palmela. Se o turno da tarde também aderir, a empresa vai parar 24 horas. Isto significa que das linhas de montagem não sairá nenhum dos cerca de mil carros que produz por dia. “Sendo um dia de greve os trabalhadores têm uma falta justificada e sem pagamento”, explicou ao ECO Rogério Nogueira.

A Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa anunciou ontem que ia marcar presença na manifestação convocada pela CGTP para sexta-feira e apelou a nova greve geral contra o “pacote laboral cozinhado pelo Governo e pelos patrões e contra os trabalhadores”. Em comunicado, a Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa frisou que “perante a tentativa de imposição unilateral de medidas que não servem os interesses de quem trabalha, consideramos fundamental intensificar a mobilização e a ação coletiva”, lê-se no documento, em que a Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa também apela a “uma nova greve geral, unida e determinada, capaz de derrotar este pacote laboral, ‘cozinhado’ pelo Governo e pelos patrões e contra os trabalhadores”.

Só com uma greve geral se pode travar esta ofensiva”, frisou ao ECO. “Neste momento exigente, entendemos que é necessário dar uma resposta clara, determinada e coletiva. Defendemos a construção de uma ampla mobilização nacional que envolva todos os trabalhadores, setores e estruturas representativas, como forma de travar esta ofensiva e defender os direitos conquistados”, acrescentou o coordenador da comissão de trabalhadores da Autoeuropa.

“Consideramos igualmente fundamental a unidade de ação entre as centrais sindicais, na defesa de objetivos comuns que garantam dignidade, estabilidade e justiça no trabalho, e que poderá passar por uma nova greve geral”, disse ainda o representante dos trabalhadores que vão marcar presença na manifestação convocada para as 14h30 desta sexta-feira, no Saldanha, em Lisboa, “como forma de expressar o descontentamento e de exigir políticas laborais justas, dignas e construídas com diálogo”.

A CGTP, central sindical que convocou a manifestação, divulgou na quarta-feira um comunicado em que acusa o Governo de violar “o direito constitucional de participação” das organizações representativas dos trabalhadores na elaboração da legislação do trabalho, e de estar a afastar “de forma sistemática” das negociações sobre as alterações à lei laboral, dizendo que não recebeu a proposta mais recente do Executivo.

Meia hora depois está agendada uma nova reunião do Governo com as quatro confederações empresariais e a UGT para “pequenas afinações” na negociação da reforma da lei do trabalho. À saída da plenária da Comissão Permanente da Concertação Social, a ministra da tutela, Maria do Rosário Palma Ramalho, reiterou que, de uma forma ou de outra, o processo será encerrado nos próximos dias.

(Notícia atualizada com mais informação)

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