“Nenhum país europeu está a salvo”. FMI alerta para recessão se guerra escalar

Instituição alerta para riscos sobre o crescimento económico europeu, apelando a que medidas para responder à crise provocada pelo conflito no Médio Oriente sejam direcionadas.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou esta sexta-feira que a União Europeia poderá ficar perto da recessão económica e ver a inflação escalar para 5% num cenário de agravamento do conflito no Médio Oriente. É neste sentido que a instituição pede que a região responda aos choques energéticos através de políticas direcionadas aos mais vulneráveis.

Num artigo publicado no blog da instituição, o diretor do FMI para a Europa, Alfred Kammer, adverte que “a Europa encontra-se numa encruzilhada” que já lhe é familiar: o de um choque energético, ainda que com características diferentes do ocorrido em 2022, durante o início da guerra na Ucrânia.

Um choque energético, de menor dimensão do que o de 2022 e desta vez enraizado na guerra do Médio Oriente, está a afetar o crescimento e a impulsionar a inflação. Antes da guerra, a nossa previsão teria sido revista em alta. Agora, vemos o crescimento a desacelerar“, aponta.

Num cenário mais grave, com um choque persistente de oferta agravado pelo aperto das condições financeiras, a União Europeia “poderá aproximar-se da recessão, com a inflação a atingir os 5%”.

No relatório de atualização das previsões económicas divulgadas esta semana, no âmbito das reuniões de primavera da instituição com o Banco Mundial, em Washington, os técnicos do FMI apontam já para um menor investimento e consumos privados face ao previsto antes da guerra, esperando um crescimento da Zona Euro de 1,1% este ano e da União Europeia de 1,3%.

No entanto, Alfred Kammer adverte que esta previsão apresenta “um elevado grau de incerteza”. Pelo que, num cenário mais grave, com um choque persistente de oferta agravado pelo aperto das condições financeiras, a União Europeia “poderá aproximar-se da recessão, com a inflação a atingir os 5%”. Nenhum país europeu está a salvo”, alerta.

O diretor do FMI admite que os decisores políticos enfrentam “uma intensa pressão” para “agirem de forma rápida, visível e para todos”, o que “muitas vezes” resulta em políticas que, considera, têm mais desvantagens a longo prazo do que benefícios a curto prazo.

Os apoios direcionados são muito mais eficazes. A resposta da Europa a este choque deve ser moldada por dois imperativos. Primeiro, uma política macroeconómica robusta, adequada a um mundo com choques imprevisíveis e frequentes, e, segundo, uma resiliência construída sem desperdiçar recursos orçamentais ou interferir nos mercados“, sustenta. Uma posição que já tinha sido expressa pelo FMI esta semana.

Apesar de conceder que a política orçamental deve fazer a sua parte, adverte contudo que deve funcionar dentro da margem disponível. Ou seja, países com dívida elevada e sem margem “não podem dar-se ao luxo de aumentar os défices”, pelo que qualquer medida relacionada com a energia deve ser totalmente compensada para não agravar as finanças públicas.

Paralelamente, pede à Europa que dê “especial atenção” à estabilidade financeira. “Num cenário grave, a tensão nos mercados de crédito pode espalhar-se rapidamente. Os decisores devem monitorizar as vulnerabilidades tanto no setor bancário quanto no não bancário, estar preparados para liberar reservas de capital caso os riscos sistémicos se materializem e garantir que o suporte de liquidez esteja disponível para as instituições elegíveis que precisarem”, aponta.

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