Exclusivo Nos cria empresa para apostar na área de segurança e defesa

Operadora criou em novembro passado uma nova empresa focada para setor de segurança e defesa. É uma das empresas a participar no Industry Day de Defesa nos EUA.

A operadora Nos está a entrar na área de segurança e defesa e já criou uma empresa para explorar este setor em forte crescimento, onde a Europa, empurrada pelo momento geopolítico, está a investir para reforçar as suas capacidades de defesa e ganhar soberania. O grupo liderado por Miguel Almeida criou recentemente uma empresa dedicada a esta área e tem vindo a envolver-se cada vez mais em parcerias com outras entidades da defesa, bem como a participar em encontros internacionais, pelo menos um deles no âmbito da NATO.

De acordo com a informação recolhida pelo ECO/eRadar a operadora criou em novembro a Nos Security Technology. A nova empresa tem como foco “a prestação de serviços de engenharia e consultadoria tecnológica na área das tecnologias de informação, comunicação e eletrónica, nos domínios da defesa e segurança“, pode ler-se no documento que assinala o ato da constituição da sociedade.

O objeto da nova sociedade passa igualmente pela “realização e dinamização de atividades científicas e de investigação e desenvolvimento (I&D), bem como a demonstração, divulgação, transferência de tecnologia e formação, nos domínios da defesa e segurança“.

Mas não só. O fornecimento e comercialização de “produtos e equipamentos de comunicações eletrónicas”, assim como atividades de TI, como programação, consultadoria, “processamento de dados” e “domiciliação de informação” são também elencadas com estando no foco de atenção da Nos Security Technology. Contactada pelo ECO, fonte oficial da Nos não quis comentar estas informações.

Miguel Almeida, CEO da Nos, surge no conselho de administração da nova empresa, acompanhado pelos administradores da NOS Manuel Ramalho Eanes, Jorge Graça, Luís Nascimento, Filipa Santos Carvalho e Daniel Beato.

Operadora em consórcio europeu de defesa

A criação da empresa dá sinal de que a operadora liderada por Miguel Almeida pretende desenvolver atividade de forma constante no setor de segurança e defesa, área onde tem vindo a dar passos. Por exemplo, através do seu braço de Inovação, a NOS integra um consórcio europeu, financiado pelo Fundo Europeu de Defesa (call de 2024): o Neuroquad, como noticiou em meados de março o ECO/eRadar.

Liderado pela Multiverse Computing SAS — integrando além da Nos Inovação, a Universidade Politécnica de Madrid, as tecnológicas europeias G.TEC, Oesia e Zabala, o Centro de Medicina Aeroespacial da Força Aérea Alemã, e a Força Aérea Espanhola—, o Neuroquad é totalmente financiado em cerca de quatro milhões de euros pelo Fundo Europeu de Defesa e envolve três grandes áreas de investigação: a neurotecnologia, a IA e a computação quântica. O projeto visa ajudar pilotos militares a tomar as melhores decisão em momentos de elevada tensão ou stress.

O objetivo é desenvolver um sistema que, através da monitorização em tempo real dos sinais vitais de um piloto — ondas cerebrais, movimento dos olhos ou batimentos cardíacos — consiga “identificar padrões que sejam mais relevantes para extrair informação da situação em que o piloto está, e depois interagir com os sistemas dos aviões, seja por adaptação instantânea de controlo, do user interface do que o piloto está a ver, para aquilo que é importante para aquela situação [ajudando a] reagir da melhor maneira”, explicou então João Ferreira, diretor da Nos Inovação. Ou seja, das múltiplas informações e instrumentos disponíveis, focar naquelas mais úteis para o piloto na situação concreta.

E a Nos está a dar novos passos para marcar a sua presença no setor de defesa. Ao que foi possível apurar, é uma das mais de 20 empresas portuguesas que vão participar na próxima semana, entre os dias 20 a 23 de abril, na feira Sea-Air-Space Expo e no primeiro PT-US Defence Industry Days, juntando-se a Tekever, Beyond Vision, Critical Software, Beyond Composite, Aralab, OGMA, Optimal Group, Orion Technik ou Infinite Foundry nesta comitiva empresarial aos Estados Unidos.

Organizada por um conjunto de entidades — Embaixada de Portugal em Washington, D.C., pela Direção-Geral de Política de Defesa Nacional, pela Direção-Geral de Armamento e Património da Defesa Nacional, pelo Estado-Maior-General das Forças Armadas, pela idD Portugal Defence, pela AICEP, pela AED Cluster Portugal —, esta ‘missão’ é descrita como “a primeira participação estruturada deste tipo nos EUA e visa reforçar a visibilidade e o posicionamento da indústria de Defesa Nacional junto da maior indústria de Defesa do mundo”, como referiu fonte oficial da IdD Portugal Defence ao ECO/eRadar.

Em fevereiro, a Nos já tinha sido uma das sete empresas — Critical Software, Beyond Vision, Nos, Embraer Europa, Greymoose, Iberian Falcata e Loft Journey —, a acompanhar a idD Portugal Defence na reunião plenária do grupo da indústria de Defesa na NATO (NIAG), em Bruxelas, pode ler-se numa publicação da idD Portugal Defence. A empresa ter-se-á feito representar por Rafael de Souza-Falcão, que no LinkedIn surge com o cargo de head of NOS Security Technology.

A operadora passou ainda a integrar o AED Cluster, entidade que reúne empresas do setor de defesa, aeronáutica e espaço a operar em Portugal.

No relatório anual integrado da empresa, relativo a 2025, a Nos realça já o seu papel neste setor, para além de referir a criação da Nos Security Technology. “Destacamos também o nosso papel como o único parceiro ICT 100% português do setor da defesa, fornecendo soluções com tecnologias dual-usage e multi-domínio, essenciais para missões críticas em ambientes complexos.”

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