Patrick Drahi aceita oferta de 20,35 mil milhões pela Altice France

Consórcio composto pela Bouygues, Free e Orange entregou oferta que avalia concorrente SFR em 20,35 mil milhões de euros, reduzindo o mercado em França de quatro para três operadores.

ECO Fast
  • Um consórcio formado pela Bouygues, Free e Orange apresentou uma proposta de 20,35 mil milhões de euros para adquirir a SFR à Altice France.
  • As quatro empresas chegaram a um acordo para negociar os termos finais da transação de forma exclusiva até ao dia 15 de maio.
  • A concretizar-se, o negócio reduz o número de operadores de telecomunicações em França de quatro para três.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

Um consórcio composto pelas operadoras Bouygues, Free e Orange formalizou uma proposta para comprar a concorrente SFR, detida pela Altice France, do multimilionário Patrick Drahi, avaliando a empresa em 20,35 mil milhões de euros.

As quatro empresas confirmaram nesta sexta-feira, 17 de abril, através de um comunicado, ter entrado em diálogo exclusivo até ao dia 15 de maio, “de forma a finalizar os termos e condições” do negócio.

Este acordo representa um passo decisivo na consolidação do setor das telecomunicações em França, pois, a concretizar-se, reduz o mercado de quatro para três operadores, numa das maiores economias da União Europeia. Todavia, as partes admitem também que, “nesta fase, não existe a certeza de que esta oferta irá resultar num acordo”.

“A divisão do preço e valor entre compradores será de cerca de 42% para a Bouygues Telecom, 31% para o grupo Free-Iliad e 27% para a Orange”, refere a nota divulgada publicamente. E o consórcio já definiu como pretende repartir os ativos “em consideração”:

  • O segmento empresarial e respetiva carteira de clientes ficará para a Bouygues;
  • O segmento de consumo, mais os clientes, serão “partilhados” entre os três membros do consórcio;
  • Os restantes ativos abrangidos pela operação, “em particular a infraestrutura e o espetro”, também será repartido pelas três;
  • A exceção é a rede móvel em áreas de baixa densidade populacional, que ficará apenas para a Bouygues.

Nem tudo está incluído

Mas há ativos da Altice France que não estão abrangidos por este princípio de acordo. Fora do escopo do negócio estão a ACS/Intelcia (serviços de outsourcing), a XP Fibre (construção e gestão de redes de fibra ótica), a Ultraedge (centros de dados) e Altice Technical Services (prestadora de serviços técnicos), “assim como as atividades do grupo Altice France nos departamentos e regiões ultramarinas francesas”.

“Esta transação socialmente responsável irá ajudar a sustentar e reforçar toda a economia digital e o setor das telecomunicações em França”, consideram as partes num comunicado conjunto.

Será “garantida a continuidade” para os clientes da SFR, prometem as operadoras, sendo que transação também permitirá “reforçar os investimentos na resiliência das redes de banda larga de altíssima velocidade, na cibersegurança, bem como na inovação e nas novas tecnologias, como a inteligência artificial”; “consolidar o controlo sobre as infraestruturas estratégicas em França”; e “manter um ecossistema competitivo em benefício dos consumidores”, argumentam.

“Esta transação ficará sujeita a consulta prévia com as entidades relevantes representativas dos trabalhadores. Depois será sujeita a avaliação pelas autoridades regulatórias competentes, em particular no que diz respeito às regras sobre o controlo de concentrações”, sublinha a nota. Nesta frente, a venda da SFR a um grupo de operadores deverá agradar mais aos reguladores por oposição à venda a uma só empresa do setor.

Patrick Drahi, fundador da Altice, tem pelo menos quatro nacionalidades, incluindo a portuguesaEPA/JUSTIN LANE

Dívida da SFR supera 16 mil milhões

Ao longo de décadas, Patrick Drahi, fundador e principal dono do grupo Altice — que, através da Altice Internacional, controla a Meo em Portugal — construiu um império empresarial com recurso intensivo a dívida. Mas a recente subida das taxas de juro tornou essa alavancagem num problema urgente: em particular, a Altice France, o ramo mais endividado do grupo, apresentava no final de setembro uma dívida líquida superior a 16 mil milhões de euros.

Por esse motivo, Patrick Drahi vinha a alienar ativos não-core no mercado francês, incluindo uma posição maioritária na UltraEdge ao Morgan Stanley, em 2023, e a Altice Media à CMA CGM em 2024. Mais recentemente, no mercado português, onde opera através da Altice International — que tem uma dívida menor, na ordem dos oito mil milhões de euros — o empresário vendeu no final de 2025 um centro de dados da Meo na Covilhã.

Tal como acontece agora com a SFR, a Meo também esteve à venda no passado recente, à operadora saudita STC (Saudi Telecom). Mas o processo caiu por terra em meados de 2024, à 25.ª hora, por falta de acordo sobre o preço final, noticiou o ECO na altura. Certo é que, ao deixar o negócio das telecomunicações em França, a Meo e Portugal ganham mais relevância no portefólio do magnata, que tem nacionalidade israelita, francesa, marroquina e portuguesa.

(Notícia atualizada pela última vez às 10h53)

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Patrick Drahi aceita oferta de 20,35 mil milhões pela Altice France

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião