Leitão Amaro diz que Lusa “pode fazer mais e pode ir mais longe”

Lusa,

"A comunicação social regional e local pode ser parceira do processo de produção da Lusa, como forma de, comercialmente, pagar parte dos serviços que consome", aponta o ministro.

O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, disse este sábado, em Penamacor, que a agência Lusa “tem uma missão importante. É credível, é relevante, é séria, mas pode fazer mais e pode ir mais longe”.

O governante considera que “a Lusa pode estar em mais sítios do território nacional e contar mais histórias“, referindo-se ao plano de reestruturação da agência noticiosa.

Leitão Amaro falava na sessão de abertura do Congresso de Jornalismo organizado pelo Jornal do Fundão, iniciando assim as comemorações do seu 80.º aniversário.

Recorde-se que depois de concluído o processo de aquisição, pelo Estado, da totalidade do capital social da Agência Lusa, em novembro de 2025, o Governo aprovou os novos estatutos da sociedade e estabeleceu um novo modelo de governação.

Leitão Amaro afirmou que “a Lusa pode ser mais barata para os jornais e rádios do país inteiro, que querem contar histórias e reproduzir histórias, ou aproveitar parte das histórias que a Lusa faz“. Neste aspeto, sugere que “a comunicação social regional e local pode ser parceira do processo de produção da Lusa, como forma de, comercialmente, pagar parte dos serviços que consome”.

Estamos a negociar um novo contrato de serviço público que também tem em vista a expansão da presença da Lusa em território nacional e internacional“, acrescenta o ministro que tem a tutela da comunicação social. Exemplifica com o caso da União Europeia: “um terço da nossa legislação é aprovada em Bruxelas. A Lusa tem um jornalista em Bruxelas, a RTP tem um jornalista em Bruxelas. São duas pequenas redações para a capital da Europa, mas juntas têm muito mais capacidade“.

“O novo contrato de serviço público da Lusa conta com mais financiamento do Estado, com uma injeção de dois milhões de euros“, para “a Lusa poder ser um parceiro cada vez mais forte da comunicação social“, afirma, reiterando que o aumento de recurso da agência lhe permite “ser também um canal de sustentabilidade para o setor”.

No mesmo evento, que juntou várias personalidades do setor no distrito de Castelo Branco, esteve também o presidente do conselho de administração da Lusa.

Joaquim Carreira, sobre a reestruturação da agência, esclarece que “antes estava sozinho com três membros do conselho de administração não executivos”, mas “atualmente há mais duas pessoas a tempo inteiro, o Luís Lopes e a Ana Alves”. Reconhece que “existe um reforço daquilo que existia no passado” e reitera que “devia haver um modelo de supervisão“.

O modelo proposto para o conselho consultivo, “é mais importante e mais escrutinado. Tem representantes de trabalhadores, que no passado não tinha. E a administração eleita será publicitada no site da Lusa“.

O conselho de administração ir ao Parlamento sempre que necessário, “é um lado perfeitamente normal. E estou a falar do Parlamento, não estou a falar do político A ou político B”.

Joaquim Carreira deu ainda conta do reforço que está a ser feito em termos de meios humanos e meios tecnológicos, estando em marcha um plano “não só para as geografias locais, como internacionais”, além da aposta a Lusofonia e na verificação de factos, com o Lusa Verifica.

A alteração do contrato de prestação de serviços públicos, representa “perto de 10 ou 11 milhões de euros a mais em termos de despesa. Isto é um reforço evidente e representa uma evolução positiva que tem vindo a ser efetuada“.

A presença nas redes sociais também mudou. “Há 10 anos, o Instagram da Lusa tinha uma penetração de 10 mil. Atualmente, é de 130 mil“, revela, acrescentando que “o público clássico da Lusa, antes de redes sociais, era, essencialmente, acima dos 45 anos. Agora tem 130 mil pessoas abaixo dos 55 anos. Isto é importante para levar aquilo que eu chamo de água potável, que chega a mais locais. Porque a Lusa tem essa água potável”.

Estado pode ajudar a comunicação social sem criar dependência

Eu não quero um poder político que crie dependências na comunicação social. Pelo contrário, se houver esse risco, vamos estar quietos, porque uma democracia não vive sem uma comunicação social profissional, de qualidade, livre, independente”, afirmou também António Leitão Amaro, lembrando que “há um elemento de contrapoder na comunicação social que é saudável. Às vezes incómodo, às vezes inconveniente, mas totalmente indispensável à democracia”.

E “mais do que boas intenções”, quis trazer “medidas concretas”, porque “não há muitas áreas tão sensíveis na democracia quanto esta. Porque a linha entre querer fazer alguma coisa para apoiar e criar dependências, é uma linha fina”.

Tutor do plano de ação para a comunicação social, criado pelo atual Governo, o ministro diz estar atento “aos desafios da sustentabilidade, por causa da transformação digital, tecnológica, das alterações dos hábitos de consumo e da canalização dos recursos”.

Para os jornais em papel, “a primeira medida que tomámos em 2025 foi duplicar o financiamento ao Porte Pago, de 40 para 80 por cento do custo da distribuição postal, mais 4,5 milhões de euros que foram colocados no setor”. E “não se perde a independência, porque não é o Estado que escolhe os assinantes”.

Depois da ameaça da Vasp deixar de distribuir publicações impressas no interior do País, o ministro avança que “está no orçamento do Estado uma verba relevante para financiar a distribuição dos jornais em banca”, porque “não podemos correr o risco de fechar ao interior o acesso aos jornais”. Mas também neste caso “o Estado não está a decidir quais as escolhas de consumo, nem as preferências editoriais”.

Quanto à sustentabilidade, “foi ontem aprovada no Parlamento, na generalidade, uma lei que obrigação de entidades públicas a publicitarem e comprar publicidade, na comunicação social regional e local, para os seus eventos relevantes, como, por exemplo, os projetos que envolvem fundos europeus”, refere o governante.

Outro diploma semelhante, também aprovado, “é a publicitação obrigatória das deliberações autárquicas na comunicação social regional e local, uma coisa que está na lei há décadas, mas nunca foi implementada”. E, “na mesma iniciativa legislativa, consta a obrigação dos tempos de antena chegarem às rádios regionais e locais, não apenas nas eleições autárquicas, mas também nas eleições legislativas, presidenciais e europeias”.

Além destas medidas, “há outra lei no Parlamento, proposta por este Governo, que é a figura do mecenato para a comunicação social. Se um jornal ou uma rádio criar um produto de interesse cultural, pode ser apoiado por privados e isso terá para os mecenas uma majoração em termos de benefícios fiscais”.

Leitão Amaro também se referiu à importância da autorregulação profissional dos jornalistas. “Temos de encontrar formas, dentro do mesmo espírito de independência, para robustecer a capacidade da autorregulação e acesso à formação”.

Nuno Francisco, diretor do Jornal do Fundão, lembrou que “o ecossistema digital trouxe múltiplas implicações na profissão, como a aceleração do jornalismo, com profundas alterações nos processos de mediação e nos modelos de negócio que, historicamente, sustentavam a imprensa”, defendendo que o futuro do jornalismo “é uma questão que depende toda a sociedade e de todos os regimes democráticos”.

 

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