Tesla Model X: um elefante elegante com alma de desportivo
Chuva, rotundas traiçoeiras e mais de 1000 cavalos de potência que se recusam a perder a compostura. Há carros que se testam na pista, este testámos no pior que Portugal tem para oferecer.
Chovia. Não aquela chuva educada que pede desculpa por molhar o para-brisas. Era aquela que transforma o asfalto num espelho e que faz qualquer condutor sensato encurtar a marcha e agarrar o volante com as duas mãos. Foi precisamente neste cenário, com piso encharcado, curvas a pedir respeito e rotundas a exigir atenção, que o ECO se colocou ao volante do Tesla Model X Plaid. Um SUV elétrico de sete lugares com portas em borboleta e mais de 1.000 cavalos de potência que, em condições normais, já seria conversa. Com chuva intensa? Isso é que era a questão.
O Tesla Model X chegou ao mercado em setembro de 2015, três anos depois do Model S que lhe serviu de base tecnológica. A proposta era ambiciosa: um SUV familiar elétrico capaz de rivalizar com os melhores da categoria, mas com a assinatura visual das famosas portas “Falcon Wing”, a abertura em borboleta que é, simultaneamente, o argumento mais fotogénico e o mais polarizador do carro.
Em 2021, a Tesla renovou profundamente a plataforma do Model X, introduzindo a versão Plaid com três motores elétricos e rotores em fibra de carbono, um interior completamente redesenhado e o controverso volante yoke. Agora, para 2025-2026, o Tesla Model X chegou numa nova geração com melhorias ao isolamento acústico, materiais mais refinados no interior, suspensão recalibrada, nova câmara frontal adicional para o Autopilot e indicadores visuais de ponto cego — alterações que não reescrevem o modelo, mas que o afinam. Nada de revolução, portanto. Apenas a evolução de uma fórmula que a Tesla conhece bem e que continua a apostar em polir em vez de reinventar.

Com mais de 5 metros de comprimento e quase 2 metros de largura, o Model X não é um carro para quem vive em ruas medievais ou adora estacionamentos subterrâneos de teto baixo. É um SUV grande, imponente, que se faz notar mesmo quando está parado. A altura de 1,68 metros garante uma posição de condução elevada que confere domínio visual da estrada — uma sensação que o asfalto molhado reforçou ao longo do ensaio.
O interior do Tesla Model X corresponde ao exterior: sete lugares distribuídos por três filas, com espaço generoso para adultos nas duas primeiras e uma terceira fila que serve de bónus para crianças ou viagens curtas.
O sistema de tração integral do Model X Plaid distribui os 1.020 cavalos pelos três motores — um na frente, dois na traseira — com uma inteligência que o condutor sente na forma como o carro não sai da linha traçada.
O vidro panorâmico frontal, enorme e esteticamente deslumbrante, cria uma sensação de espaço e leveza no habitáculo. Em contrapartida, quando o sol bate de frente, transforma-se numa estufa eficiente — a pala para-sol maleável incluída está longe de ser uma solução satisfatória para o problema. É o preço da estética.
Os materiais evoluíram visivelmente face às gerações anteriores, apresentando superfícies macias, detalhes em carbono e alumínio, acabamentos que finalmente justificam o escalão de preço.
O ecrã central de 17,4 polegadas, ajustável em três posições, domina o tablier e concentra praticamente todas as funções do carro, desde a navegação à climatização, passando pelos quatro modos de condução disponíveis: Conforto, Normal, Plaid e Personalizado. Os passageiros da segunda fila têm o seu próprio ecrã de 9,4 polegadas para gerir entretenimento ou temperatura, o que transforma o Tesla Model X numa sala de estar com rodas.
A questão central deste ensaio não era testar os 2,6 segundos dos 0 aos 100 km/h que a Tesla anuncia para o Model X Plaid — uma versão ligeiramente mais conservadora dos 2,1 segundos do Model S Plaid, dada a diferença de massa do SUV –, mas perceber como este monstro se comporta quando o piso não colabora. A resposta foi inequívoca: bem. Surpreendentemente bem.
Arranques mais bruscos em saídas de portagens, acelerações firmes na entrada de rampas, curvas molhadas sem margem para improviso. O sistema de tração integral do Model X Plaid distribui os 1.020 cavalos pelos três motores — um na frente, dois na traseira — com uma inteligência que o condutor sente na forma como o carro não sai da linha traçada.
O controlo de tração trabalha de forma praticamente impercetível, corrigindo em milissegundos qualquer tendência para o oversteer antes que o condutor sequer perceba o que aconteceu. Não houve sustos. Não houve momentos de desconforto. O Tesla Model X manteve sempre a calma que os seus números de potência, à partida, não prometeriam.
A suspensão pneumática do Model X revelou-se um aliado fundamental neste contexto, filtrando irregularidades sem comprometer a estabilidade e adaptando a geometria do carro às condições da estrada. Em modo Conforto, o Model X absorve o piso com competência discreta. No modo Plaid, a resposta endurece, o carro baixa ligeiramente e a direção ganha um peso que convida à condução ativa, tudo isto sem nunca perder o fio condutor da segurança.
As Falcon Wing são o cartão-de-visita do Tesla Model X desde 2015 e continuam a cumprir essa função com eficácia total. Abrem verticalmente, com uma articulação dupla que lhes permite funcionar mesmo com pouco espaço lateral, o que é mais útil do que parece em parques de estacionamento.
O argumento financeiro da Tesla é real, desde que se aceite que 120 mil euros é o ponto de entrada para esta conversa. O Tesla Model X Plaid não é um carro para todos, mas para quem pode, dificilmente é uma má escolha.
O efeito nos transeuntes é instantâneo: as pessoas param, apontam, fotografam. É difícil não sorrir. Além do impacto visual, as Falcon Wing têm uma utilidade prática na entrada e saída das segunda e terceira filas do Model X, especialmente com crianças ao colo ou malas nas mãos. O mecanismo é elétrico, silencioso e abre com um toque. Fecha da mesma forma. É tecnologia Tesla a funcionar sem fazer barulho, ao contrário das portas convencionais num dia de chuva intensa.
Num carro de 120 mil euros há uma escolha de design que resiste à lógica do consumidor comum: no Tesla Model X, os piscas estão colocados em dois botões no volante, eliminando completamente a alavanca convencional.
Em autoestrada, com o volante quase sempre na mesma posição, a solução até é tolerável. Nas rotundas — e Portugal tem rotundas em abundância — a experiência torna-se genuinamente stressante. Sair de uma rotunda no Model X obriga a calcular onde está o botão enquanto o volante está rodado, o que inevitavelmente desvia o olhar da estrada por um momento que ninguém devia perder.
Com o volante yoke — disponível como opção no Tesla Model X e que imita visualmente um volante de carro de Fórmula 1 — o problema agrava-se, porque a geometria irregular do volante torna a procura dos botões ainda mais imprevisível. É uma decisão que privilegia o minimalismo estético em detrimento de décadas de ergonomia automóvel consolidada. Há quem se habitue. Mas a curva de aprendizagem exige paciência.
Para uma família que precisa de espaço, quer tecnologia de topo, aprecia condução desportiva e não quer abdicar da praticidade de um SUV elétrico de sete lugares, o Tesla Model X Plaid tem uma proposta difícil de recusar.
A autonomia de 600 quilómetros em ciclo WLTP — que nas condições reais do ensaio, com acelerações mais enérgicas, se situou na casa dos 460-500 quilómetros –, é suficiente para a maioria das utilizações. Além disso, o carregamento rápido até 250 kW, combinado com a utilização gratuita e ilimitada da rede Tesla Supercharger incluída no preço base, elimina boa parte das objeções práticas à compra. O argumento financeiro da Tesla é real, desde que se aceite que 120 mil euros é o ponto de entrada para esta conversa.
O Tesla Model X Plaid não é um carro para todos. Mas para quem pode, dificilmente é uma má escolha. Mesmo debaixo de chuva. Sobretudo debaixo de chuva.
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