Americana AWS vende “soberania” à UE com nova ‘cloud’ em Portugal

Subsidiária da Amazon está a construir uma "nuvem soberana" na União Europeia, governada por europeus e liderada por um francês. Nova Local Zone oferece 'cloud à portuguesa'.

ECO Fast
  • A Amazon Web Services lançou uma nova Local Zone em Portugal, parte do projeto da "Nuvem Soberana Europeia", visando clientes preocupados com a soberania digital.
  • A empresa norte-americana prevê um impacto na economia portuguesa de três mil milhões de euros no PIB e a criação de 17 mil empregos diretos ao longo do ciclo de vida da Local Zone.
  • A iniciativa surge num contexto de crescente regulação da UE sobre dados sensíveis, com a AWS a tentar aumentar a sua penetração no mercado europeu, atualmente dominado por empresas americanas.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

A partir desta segunda-feira, 20 de abril, a Amazon Web Services (AWS) passa a oferecer, no seu portefólio de serviços, uma nova Local Zone em Portugal, um investimento em infraestrutura de cloud alojada no país. A par da Bélgica e dos Países Baixos, Portugal foi um dos escolhidos para a primeira fase do projeto da “Nuvem Soberana Europeia”, com o qual a empresa pretende aliciar os clientes mais preocupados com a soberania digital da União Europeia (UE), principalmente nos setores mais regulados.

A Local Zone é uma extensão local de uma infraestrutura de cloud mais abrangente, tecnologia que permite processar e armazenar informação digital remotamente e que é a pedra angular de toda a economia digital. Em particular, além de oferecer menor latência, uma Local Zone oferece outras vantagens aos utilizadores, como a possibilidade de guardarem os seus dados numa determinada jurisdição.

Apesar de ser norte-americana, a subsidiária de cloud da gigante do comércio eletrónico mostra-se confiante de que sabe o que os europeus necessitam: de uma infraestrutura dedicada e segregada, sedeada na UE — em Brandemburgo, na Alemanha –, com uma estrutura de governação europeia e gerida por cidadãos europeus (é liderada pelo francês Stéphane Israël). Para já, nesta “fase de transição”, os responsáveis necessitam ‘apenas’ de residir num Estado-membro, mas está na calha a exigência de nacionalidade.

Num momento em que sobem de tom os apelos na UE para que se aposte mais em empresas europeias, a AWS acredita que esta Local Zone será um importante catalisador do seu negócio em Portugal, elevando a taxa de penetração da AWS nas empresas nacionais para os 65% nos próximos cinco anos, disse André Rodrigues, responsável de Tecnologia da AWS para o sul da Europa, num evento inaugural que decorre em Lisboa.

A empresa promete também um contributo relevante para a economia portuguesa: três mil milhões de euros de impacto no PIB, ou um aumento de cerca de 1,014%, e a criação líquida de 17 mil empregos diretos “ao longo do ciclo de vida” da Local Zone de Portugal. Coloca ainda Portugal no mapa da cloud europeia de uma das maiores empresas cotadas do mundo, enquanto esta tecnologia vai ganhando cada mais relevância com a massificação da inteligência artificial (IA).

Na cerimónia inaugural, Stéphane Israël explicou, por seu turno, que a “Nuvem Soberana Europeia” da AWS oferece aos clientes a garantia de que os seus dados permanecem alojados na UE, e de que toda a legislação europeia é estritamente respeitada. Essa garantia assenta em três pilares, nomeadamente, “medidas técnicas, controlos operacionais e proteções contratuais”, disse o managing director.

Com isto, a AWS pisca o olho aos clientes que operam em setores críticos, sem esquecer as Administrações Públicas. Precisamente, duas áreas que trabalham com dados sensíveis que Bruxelas está focada em proteger, através de regulamentações atuais e até futuras, como o Cloud and AI Development Act. A Comissão Europeia também está preocupada com o facto de cerca de 65% do mercado de cloud na Europa ser dominado por apenas três empresas de origem americana, a AWS uma delas.

O lançamento da Local Zone da AWS em Portugal, originalmente prometida em 2021, coincide também com a publicação em Diário da República, neste mês, do Plano Nacional de Centros de Dados, a principal medida de política pública do Governo para atrair mais investimentos deste tipo para o país, que foi aprovada a 19 de março pelo Conselho de Ministros. O Executivo promete às empresas licenciamentos mais rápidos e terrenos pré-selecionados para a instalação de infraestrutura, assim como acesso mais fácil a energia.

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