Buraco do BES “mau” supera 11 mil milhões
Capital próprio, que corresponde à diferença entre o ativo e o passivo, passou de 10,88 mil milhões de euros em 2024 para 11,21 mil milhões de euros no ano passado.
Mais de uma década após a sua queda, aquilo que é hoje o Banco Espírito Santo, que ficou conhecido como BES “mau”, vai ficando com uma situação patrimonial mais deficitária. Segundo revela esta segunda-feira o jornal Público (acesso pago), o ativo do BES até melhorou ligeiramente ao longo do ano passado, chegando aos 181 milhões de euros, sobretudo com o aumento do dinheiro depositado nos bancos, mas as suas responsabilidades perante terceiros subiram ainda mais, porque os juros das dívidas que ficaram por pagar a credores vão continuando a ser contabilizados.
Face a uma evolução maior do passivo em relação ao ativo, o capital próprio, que corresponde à diferença entre ambos, passou de 10,88 mil milhões de euros em 2024 para 11,21 mil milhões em 2025, de acordo com o relatório e contas do último ano. Isto quer dizer que, utilizando todos os ativos existentes, ainda ficavam 11,21 mil milhões de euros por saldar — um valor que fica acima da estimativa que a ANA tinha no último ano para os custos da construção do novo aeroporto de Lisboa, nos 8,5 mil milhões de euros.
Desde 2014, ano em que foi aplicada a resolução do BES pelo Banco de Portugal, os credores foram apresentando reclamações de crédito, com a comissão liquidatária a nem sempre concordar e faltando ainda a efetiva verificação e graduação. Neste momento, as impugnações por decidir chegam às 1.500. De qualquer forma, sabe-se já que o dinheiro que restar da liquidação – o equivalente ao ativo existente à data – ficará para o Fundo de Resolução, que viu ser-lhe reconhecido pelo tribunal o direito a ser credor privilegiado do BES, devido ao dinheiro que injetou no Novobanco. São 2,7 mil milhões de euros, que esgotam, na totalidade, os ativos abaixo de 200 milhões de euros que a entidade em liquidação apresentava no fim de 2025.
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