Candidatura ibérica à gigafábrica de IA prevê “metade em Portugal e metade em Espanha”
O ministro da Reforma do Estado confirmou que Sines continua no mapa da gigafábrica de inteligência artificial, se a candidatura conjunta de Portugal e Espanha conseguir convencer a Comissão Europeia.
- O ministro da Reforma do Estado anunciou que a candidatura ibérica para uma gigafábrica de inteligência artificial será dividida igualmente entre Portugal e Espanha, com Sines como localização principal do lado português.
- O projeto conjunto entre Portugal e Espanha pretende mobilizar até oito mil milhões de euros em capitais privados e públicos, incluindo fundos nacionais e europeus.
- A Comissão Europeia planeia investir 20 mil milhões de euros em cinco gigafábricas de IA, cada uma com cerca de 100 mil processadores avançados, aumentando a capacidade de computação da União Europeia.
O ministro da Reforma do Estado confirmou esta segunda-feira que a candidatura ibérica à captação de uma das cinco gigafábricas de inteligência artificial (IA) da Comissão Europeia prevê “metade em Portugal e metade em Espanha”, mantendo Sines como a localização principal do lado português, “com outra localização para redundância”, e as cidades de Barcelona e Madrid do lado espanhol.
Enaltecendo este “projeto de igual para igual” entre Portugal e Espanha, Gonçalo Matias reiterou que a união entre os dois países permite “ganhar escala, sem preocupações com as quintinhas e os territórios de cada um”. “Tem todas as condições para ser um projeto ganhador”, afirmou o ministro, no encerramento da cerimónia de inauguração de um novo investimento da empresa norte-americana Amazon Web Services (AWS) em infraestrutura de cloud em Portugal.
A informação dada pelo ministro da tutela confirma o que vinha a ser avançado pela comunicação social nas últimas semanas, sobretudo depois de o Governo português e o Governo de Espanha terem assinado o protocolo para a formalização desta candidatura conjunta quando o concurso arrancar. Um passo que está manifestamente atrasado, com a Comissão Europeia a ter confirmado ao ECO, recentemente, que mantém a intenção de abrir as candidaturas ainda durante a primavera.
As gigafábricas de IA serão grandes infraestruturas especializadas nesta tecnologia, para treino de inferência de algoritmos com milhares de milhões de parâmetros. A Comissão Europeia tem 20 mil milhões de euros para investir em cinco destas infraestruturas, em paralelo com investimento privado. Cada gigafábrica deverá vir a ter cerca de 100 mil processadores avançados de IA, escalando de forma significativa as capacidades de computação da União Europeia.
O projeto de Portugal e Espanha prevê até oito mil milhões de euros de investimento numa gigafábrica nos dois países. Do lado português, em que Sines se assume como a localização principal da infraestrutura — onde, de resto, está a ser construído o maior centro de dados do país, o da Start Campus — fica assim confirmado que está a ser estudada uma localização de redundância, com algumas fontes a apontarem para as regiões de Abrantes ou Lisboa.
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