Empresas finlandesas de tecnologia de defesa ponderam ir para a Bolsa
Duas empresas finlandesas especializadas em tecnologia de defesa estão a preparar-se para entrar em bolsa. A confirmar-se, será o terceiro IPO no setor de defesa europeu este ano.
Duas empresas da Finlândia especializadas em tecnologia de defesa estão a planear estrear-se na bolsa de Helsínquia, procurando aproveitar os mercados acionistas numa altura em que a Europa aumenta os gastos em equipamentos militares. A confirmar-se, será o terceiro IPO no setor de defesa europeu este ano.
As empresas Savox Communications Oy AB e a Varjo Technologies Oy têm vindo a sondar investidores com vista a um potencial IPO na bolsa de Helsínquia, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto, avançou a Bloomberg.
A Savox Communications Oy AB — com mais de 40 anos de história, fundada em 1982 — é fornecedora de sistemas de comunicação avançada que “aumentam a eficiência operacional nos ambientes mais exigentes, tanto para soldados como para veículos” e ainda “equipamentos de proteção individual”. A finlandesa emprega mais de 300 funcionários por todo o mundo, pode ler-se no site na companhia.
Já a Varjo Technologies Oy, fundada em 2016, desenvolve “equipamentos de realidade virtual para treino militar”, com histórico de inovações na Nokia, Microsoft e Nvidia. Atualmente, conta com mais de 200 profissionais a trabalhar em pesquisa nos setores de defesa, aeroespacial, marítimo, engenharia, entre outros. Sediada em Helsínquia, a empresa tem presença nos EUA e Canadá, assim como nalguns países da Ásia, na Austrália e Nova Zelândia.
Investimento europeu na Defesa
A IPO planeada pelas duas empresas finlandesas surge num momento em que a Europa quer reforçar o seu setor de defesa, pressionada pelos conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente, e em que os países NATO têm vindo a ser pressionados para reforçar o peso do orçamento de defesa no PIB. “Estima-se que o gasto total dos Aliados da NATO com requisitos essenciais de defesa tenha ultrapassado 1,4 biliões de dólares (a preços constantes de 2021) em 2025”, referiu secretário-geral da NATO, Mark Rutte, quando revelou o relatório anual da Aliança Atlântica.
O eventual IPO das duas empresas junta-se ao do grupo checo fabricante de munições Czechoslovak Group, um dos maiores produtores de munições do mundo e fornecedor da NATO. Este realizou o maior IPO de sempre de uma empresa do setor, elevando a sua capitalização para mais de 30 mil milhões de euros.
Ações de defesa a arrefecer
Apesar da crescente preocupação em reforçar o investimento na defesa e do investimento de capital de risco em startups do setor ter disparado mais de 50% na Europa, desde o início do conflito com o Irão o boom no preço das ações do setor parece estar a arrefecer, com os investidores a reduzir a sua exposição ao setor, alerta Martin Frandsen, gestor de portefólio na Principal Asset Management, citada pela Reuters.
Desde o início do conflito com o Irão, ações da checa CSG caíram um terço, com as da alemã Rheinmetall e da sueca SAAB a recuar 10% e 12%, respetivamente. Em março, o Índice Aeroespacial e de Defesa da MSCI na Europa caiu 9,2%, a maior queda mensal em cinco anos, destaca a agência noticiosa.
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