Lagarde pressiona governos a afinar apoios à crise energética para não dificultarem vida ao BCE
A escalada do petróleo ditada pelo conflito no Médio Oriente, a presidente do BCE exige aos Estados que adotem medidas de apoio cirúrgicas e temporárias para não prejudicarem o combate à inflação.
Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE), aproveitou esta segunda-feira a receção anual da Associação de Bancos Alemães, que celebra o seu 75.º aniversário em Berlim, para alertar que os apoios às famílias e às empresas face ao choque energético provocado pela guerra no Médio Oriente têm de ser cirúrgicos, sob pena de complicarem a tarefa do BCE.
“O apoio que é temporário, direcionado e que preserva o sinal dos preços pode proteger os mais vulneráveis sem agravar a inflação nem desestabilizar as finanças públicas”, referiu Christine Lagarde.
O pano de fundo é nebuloso. O encerramento do Estreito de Ormuz, o corredor mais importante do comércio energético mundial, resultou numa perda líquida de petróleo estimada em cerca de 13 milhões de barris por dia, o equivalente a 13% do consumo global, recordou a líder do BCE.
Esta dupla incerteza sobre a duração do choque e a amplitude da transmissão defende a recolha de mais informação antes de chegar a conclusões firmes para a nossa política monetária.
O conflito, com a sua sequência de guerras, cessar-fogos e colapsos de negociações, torna excecionalmente difícil avaliar a duração e a profundidade das suas consequências económicas, reconheceu a presidente do BCE. “A Europa não se encontra num caminho fácil de regresso a onde estava antes de este conflito irromper“, sublinhou, acrescentando que a Agência Internacional de Energia classifica a perturbação atual como “a maior disrupção na oferta de petróleo da história”.
Para a tarefa do BCE, Christine Lagarde notou que o banco central precisa de mais dados antes de agir. A incerteza acumulada sobre a duração do choque energético e sobre o grau de propagação dos preços da energia para a inflação geral exige cautela. “Esta dupla incerteza sobre a duração do choque e a amplitude da transmissão defende a recolha de mais informação antes de chegar a conclusões firmes para a nossa política monetária”, afirmou.
Christine Lagarde lembrou que, em 2022, a retirada prematura dos apoios fiscais contribuiu para prolongar a inflação acima dos 2% durante 2024 e 2025, e que os programas de compensação dos Estados chegaram a representar 1,7% do PIB, tornando a política orçamental expansionista num momento em que o BCE estava a apertar as condições de financiamento.
“Estamos comprometidos com o nosso mandato de estabilidade de preços. Asseguraremos que a inflação regressa aos 2% a médio prazo. E agiremos conforme a situação exigir”, reforçou uma vez mais Christine Lagarde.
Para o BCE, esta postura significa estar “pronto para agir quando tivermos a informação de que necessitamos”, uma formulação deliberadamente cautelosa, num ambiente onde os mercados ainda apostam numa resolução rápida do conflito, mas onde os riscos de um cenário mais adverso continuam muito presentes.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Lagarde pressiona governos a afinar apoios à crise energética para não dificultarem vida ao BCE
{{ noCommentsLabel }}