Restaurantes pedem mais apoios. Governador do BdP questiona crise no setor
Secretária-geral da AHRESP revela que está a ser pedido um reforço da componente a fundo perdido, atendendo ao agravamento da situação. Álvaro Santos Pereira diz que números não provam crise.
A Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) lamenta que os apoios anunciados pelo ministro da Economia e Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, em janeiro, ainda estejam na gaveta. A medida ainda “é para ser implementada”, revela a secretária-geral da AHRESP, em entrevista ao Jornal de Negócios e à Antena 1, sublinhando que “é muito urgente para criar tesouraria que as empresas precisam”. Mas o governador do Banco de Portugal tem opinião diferente, que justifica com o facto de o setor da restauração ter crescido nos últimos anos graças à expansão do turismo e ao aumento do consumo.
“Nos últimos meses tem-se falado muito de uma eventual crise no setor da restauração, com os representantes do setor a pedirem ajudas públicas e descidas de impostos. Será assim? O que é que nos dizem os números?”, questiona Álvaro Santos Pereira, num conjunto de posts nas redes sociais. “Nos últimos anos, o setor da restauração cresceu bastante, graças à expansão do turismo e aumento do consumo. Desde 2019, a restauração cresceu 69% em termos nominais e 25% em termos reais. Esta tendência de crescimento continuou em 2025, embora de forma mais moderada. Porém, em 2025, o volume de negócios na restauração aumentou 2,9% em termos nominais, face a 2024”, elenca o governador do Banco de Portugal, usando os dados do Instituto Nacional de Estatística.
“No entanto os preços cresceram 6%, o que levou a uma queda do volume de negócio em termos reais, principalmente no último trimestre de 2025”, diz Santos Pereira, o que poderia motivar o pedido de ajuda do setor. No entanto, como os preços cresceram, “os gastos de portugueses e estrangeiros em restaurantes aumentaram 2,7% em termos reais”, sublinha o governador.
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Esse aumento de preços leva a AHRESP a pedir que a ajuda “seja disponibilizada o mais depressa possível, porque as empresas estão cada vez mais sacrificadas e sufocadas e não é possível continuarem a transferir estes custos para os consumidores”. Ana Jacinto revelou que está a ser pedido um reforço da componente a fundo perdido, atendendo ao agravamento da situação. “Desde que a medida foi negociada até hoje, a situação só piorou. Não sabemos quais os valores exatos”, disse a secretária-geral da associação.
Para o governador do Banco de Portugal não existe uma crise na restauração. “Os números são de tal forma evidentes que falam por si”, sublinha, elencando que o rácio de crédito vencido na restauração (2,1%) “manteve-se em níveis historicamente baixos”; as margens de lucro “têm permanecido relativamente estáveis nos últimos anos e em valores próximos dos observados no período pré-pandemia”; o emprego continua a crescer no setor e há mais empresas a serem criadas do que falências.
“Se atentarmos para a evolução da criação e destruição de empresas no setor do alojamento e restauração (dados da Informa D&B) verificamos que em 2025 se criaram 4.991 empresas” que comparam com “somente 1.307” falências, sublinha Álvaro Santos Pereira. “Se utilizarmos os dados do e-fatura para o setor da restauração, verificamos que mesmo assim, houve uma criação líquida de empresa na restauração em 2025 embora menor”, acrescenta.
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