Tecnocrata espanhol lidera corrida para suceder Lagarde no BCE
A corrida à presidência do BCE já começou e um painel de especialistas aponta o espanhol Hernández de Cos como o candidato mais qualificado para ocupar o lugar de Christine Lagarde em 2027.
- A corrida pela sucessão de Christine Lagarde no BCE já começou, com Pablo Hernández de Cos como o candidato mais qualificado, segundo uma sondagem recente.
- Hernández de Cos destaca-se em várias categorias, incluindo formação em política monetária e capacidade de gerar consenso, enquanto Joachim Nagel é seu principal rival.
- A decisão final do novo presidente do BCE caberá ao Conselho Europeu, e a história mostra que os favoritos nem sempre vencem, aumentando a incerteza sobre o resultado.
A corrida à sucessão de Christine Lagarde na presidência do Banco Central Europeu (BCE) está já em movimento muito antes de a cadeira vagar em outubro do próximo ano.
Pablo Hernández de Cos, antigo governador do Banco de Espanha e atual diretor-geral do Banco de Pagamentos Internacionais (BIS), em Basileia, emerge como o candidato mais bem qualificado para suceder a Christine Lagarde, segundo uma sondagem divulgada esta segunda-feira pelo Financial Times, realizada pelo think tank londrino OMFIF junto a um painel de 20 especialistas, entre banqueiros centrais, gestores de ativos, decisores de política económica e académicos.
O perfil de Hernández De Cos é o de um tecnocrata de carreira, com mais de duas décadas dedicadas à banca central.
Hernández de Cos lidera a classificação em quatro das nove categorias avaliadas pelo painel: formação em política monetária, capacidade de gerar consenso, credenciais europeias e aptidão para obter o apoio de outros Estados-membros. O seu principal rival na corrida é o alemão Joachim Nagel, presidente do Bundesbank, que se destaca nas vertentes de conhecimento dos mercados financeiros, liderança e gestão de crises.
O perfil de Hernández De Cos é o de um tecnocrata de carreira, com mais de duas décadas dedicadas à banca central. Iniciou o seu percurso no Banco de Espanha em 1997, passou pelo BCE em Frankfurt como assessor do conselho executivo entre 2004 e 2007, e liderou o banco central espanhol entre 2018 e 2024, tendo integrado o Conselho de Governo do BCE durante esse mandato.
Para analistas como Christian Kopf, responsável de obrigações da gestora alemã Union Investment, nomear um “tecnocrata de carreira” como Hernández De Cos enviaria “um sinal claro de que a Europa não vai tremer e de que o euro se manterá como uma moeda forte”, num momento em que a independência dos bancos centrais está sob pressão em várias partes do mundo, incluindo nos EUA.
A decisão final caberá ao Conselho Europeu, que nomeia por consenso, e a história mostra que os favoritos antecipados nem sempre vencem.
Além de Joachim Nagel, figuram ainda na corrida Klaas Knot, ex-governador do banco central holandês; Isabel Schnabel, membro do conselho executivo do BCE; e François Villeroy de Galhau, que deixou antecipadamente a chefia do Banco de França.
A candidatura de Schnabel levanta, no entanto, dúvidas jurídicas. Há quem considere que a legislação europeia impede que um membro do conselho executivo do BCE passe diretamente para a presidência da instituição.
Quanto a uma liderança alemã do BCE, o debate está em aberto, desde logo por a Alemanha nunca ter ocupado o cargo de presidente desde a fundação do banco, em 1998, embora já detenha a presidência da Comissão Europeia com Ursula von der Leyen, o que torna um duplo protagonismo germânico politicamente improvável.
A decisão final caberá ao Conselho Europeu, que nomeia por consenso, e a história mostra que os favoritos antecipados nem sempre vencem: em 2019, poucos apostavam em Christine Lagarde antes de o acordo entre Berlim e Paris a impor ter ficado fechado.
Com quase 18 meses de mandato ainda pela frente, e com o Governo espanhol a declarar abertamente que quer “um papel protagonista” no novo conselho executivo do BCE, a candidatura de Hernández De Cos ganha corpo, mas o desfecho continuará a ser decidido, como sempre, nas capitais europeias.
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