AHRESP responde a Santos Pereira sobre crise na restauração: “É indispensável que a análise do setor vá além das médias”

  • ECO
  • 21 Abril 2026

Associação que representa restaurantes fala em "crise que as estatísticas não medem" e em "encerramentos silenciosos" que subestimam a dimensão real dos problemas.

A AHRESP, associação que representa os restaurantes, considera que “é indispensável que a análise do setor vá além das médias” e insiste num cenário de “crise que as estatísticas não medem”. Uma resposta que surge depois das dúvidas lançadas pelo governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, que publicou nas redes sociais um retrato bem diferente daquele que a restauração diz existir.

“A análise agregada e global do setor — frequentemente utilizada em relatórios macroeconómicos — tende a ocultar assimetrias profundas”, salienta a associação liderada por Ana Jacinto num comunicado enviado às redações.

A AHRESP diz que há empresas de restauração que conseguem beneficiar “de economias de escala e de maior poder negocial”, nomeadamente que integram cadeias ou supermercados. Mas há o outro lado da mesma moeda: “Milhares de micro e pequenos restaurantes operam em condições estruturalmente mais frágeis”.

Sobre “os indicadores oficiais de destruição empresarial”, a AHRESP fala em “encerramentos silenciosos que não são contabilizados e geram uma invisibilidade estatística que subestima sistematicamente a dimensão real das dificuldades no terreno”.

Aos números lançados pelo governador, a associação contrapõe com outros que demonstram “três anos de pressão acumulada sobre os custos” sobre a alimentação (+4,8% em 2025 e a acelerar para 6,4% em março), energia (5,7% em março), salários (aumentaram 23% entre 2022 e 2025) e uma menor procura.

“As empresas têm vindo a ajustar os preços de venda, mas muito abaixo dos aumentos expressivos a que têm sido sujeitas. O resultado é um esmagamento das margens de negócio e sérias dificuldades em sustentar os negócios e os postos de trabalho”, argumenta a AHRESP.

Também releva a “enorme capilaridade” e a função social de um setor que “precisa de ser preservado”.

“Este setor, de enorme importância para a economia nacional, tem de ser preservado. São necessárias condições reais para que estas empresas possam manter as suas atividades — e para isso, é indispensável que a análise do setor vá além das médias e reconheça a pressão real sobre as margens das microempresas”, apela a AHRESP.

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