Depois dos EUA expulsarem adido brasileiro, Lula admite reciprocidade
O presidente brasileiro disse, durante a visita a Portugal, que não pode aceitar "ingerência, esse abuso de autoridade que algumas personagens norte-americanas querem ter com relação ao Brasil”.
O Presidente brasileiro, Lula da Silva, afirmou esta terça-feira que o Brasil poderá agir com “reciprocidade” face aos Estados Unidos, caso tenha havido abuso das autoridades norte-americanas na expulsão de adido ligado à detenção do ex-deputado Alexandre Ramagem.
“Não sei o que aconteceu. Fui informado hoje de manhã, acho que se houve um abuso norte-americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o dele no Brasil. Não tem conversa”, disse Lula da Silva após ser questionado por jornalistas em Hannover, Alemanha.
“Queremos que as coisas aconteçam da forma mais correta possível, mas nós não podemos aceitar essa ingerência, esse abuso de autoridade que algumas personagens norte-americanas querem ter com relação ao Brasil”, afirmou Lula da Silva, antes de seguir viagem para Portugal.
Na segunda-feira, o Governo dos Estados Unidos ordenou a expulsão do adido de segurança do Brasil, acusando-o de manipular o sistema de imigração para facilitar a detenção do ex-chefe dos serviços secretos brasileiros, o ex-deputado federal bolsonarista Alexandre Ramagem.
Marcelo Ivo de Carvalho, que funcionava como elo com as autoridades de imigração dos EUA – conhecido como ICE –, vivia em Miami, onde recebeu uma ordem para sair do país, disse na segunda-feira o Departamento de Estado dos EUA. “Nenhum estrangeiro pode manipular o nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender caças às bruxas políticas ao território dos EUA”, justificou Washington.
“Foi pedido ao funcionário brasileiro em questão” que abandone os EUA, acrescentaram as autoridades, na rede social X, sem mencionar o nome de Marcelo Ivo. A Polícia Federal (PF) do Brasil informou a imprensa brasileira de que não houve formalização da decisão do governo do Presidente norte-americano, Donald Trump, e que, por isso, a corporação não se vai manifestar.
Marcelo Ivo de Carvalho era o coordenador das relações entre a representação diplomática brasileira nos Estados Unidos e o ICE. A polícia brasileira descreveu a detenção de Alexandre Ramagem como resultado de uma cooperação policial internacional com as autoridades norte-americanas.
A medida surgiu depois da repercussão da detenção de Alexandre Ramagem por parte do ICE, em 13 de abril, em Orlando, no estado da Flórida (sudeste dos Estados Unidos). Foragido da justiça brasileira, Alexandre Ramagem, de 53 anos, foi condenado em setembro de 2025 a 16 anos de prisão, no mesmo processo que o ex-presidente Jair Bolsonaro, pelo Supremo Tribunal Federal do Brasil.
Ambos foram considerados culpados de conspirar para manter o ex-líder no poder, apesar da derrota nas eleições de 2022 frente ao atual Presidente, o líder de esquerda Lula da Silva. Segundo a polícia brasileira, Alexandre Ramagem fugiu do Brasil em setembro, através da Guiana, sem passar pelos controlos de imigração, e entrou nos EUA com um passaporte diplomático, de acordo com a imprensa brasileira.
O Brasil solicitou oficialmente a extradição de Ramagem em dezembro. Alexandre Ramagem foi solto dois dias após ter sido detido. Na altura, agradeceu ao Governo do Presidente norte-americano Donald Trump pela libertação e disse estar em situação regular no país. Ramagem disse ainda que foi detido por uma questão migratória e que entrou no país de forma “perfeitamente regular”.
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