EDP mantém aposta nos EUA e contacto com Casa Branca sobre eólicas suspensas
Sobre os projetos eólicos offshore, Miguel Stilwell d'Andrade sublinhou que o Governo norte-americano, liderado por Donald Trump, foi "muito claro" na rejeição desses investimentos.
A EDP mantém a aposta nos Estados Unidos e está em contacto com o Governo norte-americano “para ver qual é a solução” para os três projetos eólicos offshore (no mar) suspensos, disse o presidente executivo da empresa.
“A nossa estratégia nos Estados Unidos é muito clara, investimos nas tecnologias renováveis, é nosso maior mercado, é o que está a crescer mais, principalmente em solar e baterias. Também vemos ainda algum espaço para eólico onshore [em terra]”, disse esta terça-feira Miguel Stilwell d’Andrade, em declarações a jornalistas em Madrid.
Sobre os projetos eólicos offshore, Miguel Stilwell d’Andrade sublinhou que o Governo norte-americano, liderado por Donald Trump, que tomou posse em janeiro de 2025, foi “muito claro” na rejeição desses investimentos.
“Mas relativamente ao resto, continuamos a ver muita procura [nos EUA”, em níveis nunca vistos no passado, disse o presidente executivo (CEO) da EDP, que falava no arranque do evento anual da associação Wind Europe, que promove a energia eólica na União Europeia.
A EDP suspendeu três projetos de eólicas no mar nos EUA, anunciou a empresa na semana passada.
“Estão parados, hibernados, e estamos a falar com a Administração [norte-americanca] para ver qual é a solução para eles”, disse esta terça-feira Miguel Stilwell de Andrade, que não quis dar mais detalhes.
O CEO da EDP insistiu em que “a política muito clara” do atual Governo dos EUA “contra as eólicas ‘offshore'” é “um caso muito particular”.
“O eólico ‘offshore’ na Europa desenvolveu-se muito ao longo dos últimos anos, somos parte disso e vemos ainda muito caminho”, realçou.
Miguel Stilwell d’Andrade insistiu em que as eólicas têm de continuar a ser uma aposta europeia, com mecanismos “que não incentivem só ao solar”, sublinhando que o vento é uma fonte de energia disponível durante todas as horas do dia e durante todo o ano.
Península Ibérica “muito bem posicionada” face a crise energética
O presidente executivo da EDP disse esta terça-feira que a Península Ibérica está “muito bem posicionada” para responder à crise provocada pela guerra no Médio Oriente devido à aposta nas renováveis, descartando uma escalada nos preços da eletricidade.
“A Península Ibérica está muito bem posicionada nesta crise” por causa da “penetração muito grande de renováveis”, com os preços da eletricidade a serem substancialmente inferiores em Portugal e Espanha do que noutros países da União Europeia (UE), disse Miguel Stilwell d’Andrade, em declarações a jornalistas em Madrid.
O presidente executivo (CEO) da EDP afirmou que os preços da energia em Portugal e Espanha “continuam bastante em linha com o que estavam antes” e “o gás só marcou este ano 15% das horas de preço” da eletricidade, enquanto em países como a Itália determinou 85%.
“Este tipo de crise demonstra, mais uma vez, o importante que é seguir com esta aposta [nas renováveis] “, acrescentou, sublinhando que se trata também de “investir em segurança nacional, independência energética, em competitividade”.
O CEO da EDP, que falava no arranque do evento anual (uma feira e conferências) da associação Wind Europe, defendeu que a aposta nas renováveis deve manter-se, mas alertou que tem de ser diversificada e que está a haver “cada vez mas um desvio para o solar e para as baterias”.
“O que não está mal. Mas não devemos esquecer que é necessário um mix energético diversificado”, acrescentou.
Tanto nas declarações aos jornalistas como na sessão inaugural da Wind Europe 2026, Miguel Stilwell d’Andrade defendeu que a energia eólica é crítica para a competitividade da Europa e dos preços da energia, por ser uma fonte potencialmente disponível durante todas as horas do dia e durante todo o ano, ao contrário da solar.
Os preços da eletricidade poderiam ainda ser mais baixos em Portugal e Espanha se fossem reduzidos os impostos, sublinhou Miguel Stilwell d’Andrade, que afirmou que política energética é diferente de política fiscal e de política industrial.
O CEO da EDP insistiu em que há tecnologia e disponibilidade de verbas para investir mais nas renováveis – e nas eólicas em particular – e que é possível “fazer mais e mais depressa”, para responder à crescente procura, mas para isso os Estados-membros da União Europeia têm de fazer as transposições das diretivas e das recomendações europeias de forma consistente, para agilizar licenciamentos e outras burocracias.
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