Ex-líder da UGT Carlos Silva diz que “não há condições para acordo” no pacote laboral
Antigo dirigente da UGT afirma que é quase certo que o secretariado nacional marcado para o dia 23 de abril vai voltar a rejeitar a proposta do Governo e das confederações patronais.
Carlos Silva, antigo secretário-geral da UGT, diz que a negociação das alterações à lei laboral, que se arrasta há nove meses, “não convence os sindicatos da UGT” e é quase certo que o secretariado nacional marcado para quinta-feira, 23 de abril, vai voltar a rejeitar a proposta. No entender do ex-dirigente, “não há condições nenhumas para um acordo” com o Governo e com as confederações patronais.
“O que nasce torto, tarde ou nunca se endireita”, afirmou Carlos Silva, em declarações ao Público (acesso pago), criticando o Executivo por ter avançado com a revisão do Código do Trabalho sem antes ter ouvido a central sindical e numa altura em que a situação do país “não perspetiva uma reforma tão profunda”. “Do que tenho visto, e sem o Governo dar provas concretas, não acredito que haja alteração da votação”, acrescentou, em referência à resolução aprovada a 9 de abril por unanimidade em que o secretariado nacional da UGT rejeitou a proposta que fora enviada pela ministra Maria do Rosário Palma Ramalho.
O antigo líder da central sindical responsabiliza o Governo pela “falta de sucesso” das negociações. “Espoletou o processo mal e não está a ir ao encontro daquilo que a UGT propõe“, criticou Carlos Silva, que rejeita ainda que a ideia de que o PS manda na UGT. “Isso é absurdo”, disse, assinalando que esta não é apenas uma posição da tendência socialista da UGT e que a tendência social-democrata (próxima do partido do primeiro-ministro, Luís Montenegro) tem apoiado as decisões tomadas até agora.
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