NATO critica políticas nucleares da Rússia e China
NATO acusou a Rússia e a China de violarem compromissos de controlo de armas nucleares, e incentivou fortemente a procura estabilidade estratégica multilateral com os EUA.
A NATO criticou as políticas nucleares da Rússia e da China, apelando que ambos os países trabalhem em conjunto com os Estados Unidos para alcançar maior transparência e estabilidade estratégica multilateral. A Aliança Atlântica sublinhou o seu “firme compromisso com a plena implementação do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP)”, pode ler-se num comunicado. A posição surge antes de uma reunião na ONU sobre o tema, na próxima semana.
“A Rússia violou compromissos cruciais de controlo de armas e empregou uma retórica nuclear ameaçadora de forma irresponsável. A China continua a expandir e a diversificar rapidamente o seu arsenal nuclear sem transparência”, acusam os 32 aliados.
Os países da Aliança “incentivam fortemente os Estados Unidos a procurar estabilidade estratégica multilateral“, alertando que “ambos os países [China e Rússia] consolidaram alianças com Estados que promovem a disseminação de armas nucleares e enfraquecem as normas de controlo internacional de armas”.
O comunicado surge na semana antes da Décima Primeira Conferência de Revisão para analisar o funcionamento do tratado TNP, que ocorrerá desde 27 de abril até 22 de maio de 2026, na sede das Nações Unidas em Nova Iorque. A conferência decorre num contexto de instabilidade geopolítica, com os conflitos na Europa e no Médio Oriente.
“O atual cenário de segurança em deterioração apresenta desafios relevantes para o TNP, à medida que as crises de proliferação continuam e intensificam-se. Trabalharemos para o sucesso da Conferência de Revisão do TNP e estamos prontos para colaborar com todos os Estados Partes do TNP em prol desse mesmo objetivo”, acrescentou a NATO no comunicado.
O Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, que entrou em vigor em 1970 e foi prorrogado indefinidamente em 1995, é considerado pelas Nações Unidas como “a pedra angular do regime global de não proliferação nuclear e um fundamento essencial para a procura do desarmamento nuclear”.
Secretismo no armamento nuclear
O Secretário-Geral Adjunto da NATO para Assuntos Políticos e Política de Segurança, Boris Ruge, afirmou que o uso do míssil balístico de alcance intermediário Oreshnik, com capacidade nuclear, pela Rússia na guerra contra a Ucrânia é apenas um dos exemplos de “sinalização nuclear” através de uma retórica irresponsável por parte de Moscovo.
“Hoje, enfrentamos uma Rússia que abandonou todos os importantes acordos de controlo de armas, que vem desenvolvendo todo tipo de sistema de lançamento nuclear e que está envolvida na maior guerra na Europa desde 1945”, disse Ruge, numa entrevista à Reuters.
Boris Ruge defendeu a medida da França como uma “resposta ponderada, razoável e transparente às ameaças que enfrentamos” — Emmanuel Macron afirmou no início do mês de março que recorreria ao armamento nuclear em caso de ameaça aos interesses vitais da França e ordenou o reforço do arsenal nuclear do país, deixando de comunicar o número de ogivas no seu arsenal.
“Somos uma aliança defensiva. Não ostentamos as nossas armas nucleares. Não nos envolvemos em retórica nuclear irresponsável, que ouvimos com muita frequência do Sr. Putin”, acrescentou o Secretário-Geral Adjunto da NATO, citado pela agência noticiosa.
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