Exclusivo Presidente do IAPMEI vai para reforma. Pulido Valente deixa cargo em maio

Pulido Valente vai deixar a direção do instituto público cujo funcionamento será assegurado para já pelo restante conselho de diretivo: Nuno Gonçalves (vice-presidente), Paulo Mauritti e Carla Santos.

José Pulido Valente vai passar à reforma e deixará de ser presidente do IAPMEI, a partir de maio, apurou o ECO. O responsável que foi nomeado para o cargo pelo então ministro da Economia Pedro Reis, em setembro de 2024, enviou uma mensagem de despedida ao colaboradores a dar conta da “novidade”.

“Caros amigos, partilho convosco uma novidade. Foi aprovado o meu pedido de passagem à reforma, com efeitos a partir de 1 de maio. Chega assim ao fim o meu percurso como presidente do IAPMEI, terminando nessa data, por imperativo legal, o exercício das minhas funções”, escreve o responsável na missiva a que o ECO teve acesso.

Fazendo questão de “agradecer a todos os colaboradores, às equipas técnicas e operacionais, aos dirigentes, aos órgãos sociais e aos parceiros institucionais”, Pulido Valente sublinha que “o reconhecimento que o IAPMEI tem hoje junto dos seus stakeholders deve-se, acima de tudo, à qualidade desse trabalho coletivo”. “É nas equipas que assenta a continuidade do IAPMEI”, acrescenta.

“Trabalhar convosco foi um privilégio. Levo comigo o exemplo de exigência, comprometimento e competência. É graças a vocês que, mesmo em contextos complexos, o trabalho do IAPMEI continua a contribuir para o crescimento e inovação das empresas portuguesas”, elogia Pulido Valente.

Ao contrário do que acontece com a presidente da AICEP, que apesar de ter atingido o limite de idade, permanece em funções com a devida autorização do Executivo, Pulido Valente vai deixar a direção do instituto público cujo funcionamento será assegurado pelo restante conselho de diretivo: Nuno Gonçalves (vice-presidente); Paulo Mauritti e Carla Santos.

Aos colegas de direção, Pulido Valente também dirige “palavras de agradecimento” e “de plena confiança”. “Tenho a certeza de que” assegurarão, “com estabilidade e sentido de responsabilidade, este período de transição, garantindo a continuidade do trabalho em curso e o normal funcionamento da instituição”, fez questão de sublinhar o substituto de Luís Guerreiro, que foi afastado do cargo por Pedro Reis, com o objetivo de “dar um novo impulso a este organismo”.

Luís Guerreiro tinha sido uma escolha do antecessor na pasta, António Costa Silva. E como a mudança na altura foi repentina, Pulido Valente passou a ocupar a presidência em regime de substituição. Só um ano depois, a 23 de setembro de 2025 foi nomeado para um mandato de cinco anos, que não vai levar até ao fim.

O IAPMEI foi alvo de duras críticas pelo tempo que levava a analisar candidaturas a fundos europeus e pelos atrasos nos pagamentos de incentivos às empresas. Críticas que ajudaram a justificar a substituição de Luís Filipe Guerreiro por Pulido Valente. O gestor era quadro do BCP desde 1988 e desempenha o cargo de diretor coordenador da Direção de Crédito Especializado e Imobiliário. Um perfil que visava reforçar a capacidade de operação do instituto de apoio às empresas, e também o compliance e avaliação de risco.

Na sua passagem pelo ECO dos Fundos, o podcast quinzenal do ECO, o presidente do IAPMEI elegeu o licenciamento de alguns projetos como a questão que mais o preocupava no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Pulido Valente reconheceu que “há alguns atrasos em termos de descarbonização que é preciso recuperar” e “há alguns problemas também de fornecimento de equipamentos”. “Mas são problemas resolúveis que não vão impactar negativamente as metas e os marcos que estão fixados”, garantiu.

Pulido Valente sai com a garantia de cumprimento “absoluto” de que todas as candidaturas são analisadas em 60 dias e pagas a 30. “Temos fixados instrumentos de medição de níveis de serviço, foi uma grande aposta da nova gestão também do IAPMEI, porque, de facto, o que não se mede não se gere. Desenvolvemos instrumentos de medição de níveis de serviço que hoje nos permitem poder afirmar que estamos a cumprir com os 60 dias úteis nas análises e estamos a cumprir com os 30 dias úteis nos pagamentos”, disse no ECO dos Fundos.

“Saio com gratidão pelo caminho feito e com confiança no futuro do IAPMEI.” Foi com estas palavras que termina a mensagem enviada aos colaboradores.

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