Retalho alimentar em Portugal com crescimento real quatro vezes acima da Europa em 2025
Mercado de distribuição alimentar cresceu acima do setor europeu, segundo revela um estudo anual da McKinsey e Eurocommerce. Marca branca representa 48% das vendas em Portugal.
O retalho alimentar em Portugal voltou a superar o crescimento do mercado europeu no ano passado. Segundo o estudo The State of Grocery 2026 da McKinsey e Eurocommerce, divulgado esta terça-feira e que inclui dados de Portugal, o setor da distribuição alimentar registou um crescimento real mais de quatro vezes superior ao da Europa.
Segundo o estudo, o mercado alimentar em Portugal cresceu 5,2%, em 2025, acima dos 3,1% registados na Europa, “refletindo um maior dinamismo global do setor”. Em termos reais, o setor do retalho alimentar português cresceu 2,3%, enquanto o setor na Europa subiu 0,5%, uma evolução “que indica uma recuperação efetiva do consumo, para além do efeito inflacionista“.
Apesar da tendência positiva, a McKinsey nota que esta recuperação não é homogénea. “Em termos de volume, o mercado português mantém-se em contração (-0,5% vs +0,6% na Europa)”, destaca.
Marca própria vale cerca de 48% das vendas
A marca própria assume um peso muito relevante no mercado português, com a chamada marca branca a representar 47,7% das vendas, uma percentagem que fica bem acima da média europeia: 40%.
Já ao nível promocional, “observa-se uma redução da intensidade promocional em Portugal (-1,5 p.p.), em contraste com uma ligeira subida na Europa (+0,2 p.p.)”.
O estudo revela ainda que, no que respeita a canais, “destacam-se sinais de fragilidade em segmentos tradicionalmente relevantes”, com o canal online a registar uma quebra significativa em Portugal (-13,9%), contrastando com o crescimento observado na Europa (+6,8%).
“De forma semelhante, o segmento de discounters apresenta uma contração acentuada (-4,3%), enquanto na Europa cresce (+5,0%), indicando uma divergência relevante face à tendência europeia”, acrescenta o estudo.
Em termos globais, o relatório, que reúne a perspetiva de mais de 35 executivos do setor e de mais de 15.000 consumidores em 14 países europeus, antecipa que o “mercado alimentar continua sob pressão, mas começam a surgir sinais de novo dinamismo, especialmente na defesa das margens, na procura de crescimento para além do core e na adoção de tecnologias (IA e automação) com impacto real no negócio”.
Um quarto dos líderes do setor alimentar esperam, em 2026, uma melhoria das condições de mercado (vs. 16% no ano anterior), enquanto 36% antecipa um agravamento (vs. 29% em 2025).
Este otimismo convive, no entanto, com uma realidade ainda exigente. Segundo o relatório, oito em cada dez CEO (77%) colocam a pressão sobre custos e margens entre as suas principais prioridades.
A análise revela também maior polarização regional: no Norte da Europa, 63% dos executivos antecipam melhorias, enquanto na Europa Ocidental apenas 11% partilham essa expectativa.
Estes resultados poderão, contudo, não refletir ainda o impacto da guerra no consumo e nos preços. Em Portugal, as cadeias de hipermercados têm vindo a alertar amiúde para os efeitos da guerra na sua atividade, mas, segundo o diretor-geral da APED – Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição, Gonçalo Lobo Xavier, o efeito dos aumentos provocados pelo conflito no Médio Oriente devem começar a refletir-se este mês.
Com os preços do cabaz alimentar a atingir recordes semana após semana, a associação que representa as empresas de distribuição esclarece que qualquer recorde no cabaz alimentar ou de outros produtos vendidos em janeiro pelas retalhistas deve-se à atualização dos preçários e tabelas salariais dos fornecedores no início do ano e não tem que ver com o ataque ao Irão, até porque foram contratualizados no quarto trimestre de 2025.
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