Após 25 anos em Portugal, Uría aposta num futuro mais tecnológico
A Uría Menéndez celebra 25 anos no mercado português com um balanço “muito positivo” do percurso percorrido e uma ambição clara para o futuro: afirmar-se como uma firma “altamente tecnológica”.
A Uría Menéndez comemora 25 anos no mercado de advocacia português e a perspetiva para o futuro é que seja uma firma “altamente tecnológica”. Do passado, os managing partners fazem um balanço “muito positivo” e assumem que o escritório conseguiu assumir uma posição de destaque no mercado.
“Crescemos de forma sustentada e muito consistente, com o foco na qualidade técnica da nossa equipa, proximidade ao cliente e capacidade de trabalhar em operações e processos complexos, mantendo uma cultura de exigência e excelência de serviço”, referiu a managing partner Marta Pontes.
A líder considera que uma das principais diferenças da firma face a outras sociedades internacionais que entraram no mercado nacional está relacionada com o facto de sempre terem posicionado a Uría como uma firma ibérica, “tão espanhola quanto portuguesa, e não como um mero escritório exterior de uma sociedade de advogados espanhola”.
“A estratégia da Uría Menéndez é a mesma em todos os nossos escritórios, e os valores que nos regem também: queremos ter os melhores advogados, a trabalhar nos melhores assuntos, para os melhores clientes, com um compromisso absoluto com o rigor e a qualidade, mas também com a integridade”, disse.

Marta Pontes explicou que, para esse efeito, implementaram em Portugal um processo de recrutamento, um plano de formação, um sistema de avaliação e um plano de carreira semelhantes aos que tinham em Espanha e que eram “absolutamente inovadores” em Portugal.
Mas ao longo dos 25 anos vários foram os momentos que marcaram o escritório, tendo Antonio Villacampa destacado quatro. Entre eles a fase de implantação e afirmação do escritório e as diferentes fusões – primeiro com a VSCF e depois com a Proença de Carvalho -, que permitiram-lhes ganhar a “massa crítica necessária” para poder prestar um serviço completo aos clientes.
“O período pós-crise financeira de 2008/2009, em que o país viveu reestruturações relevantes e um ciclo intenso de investimento estrangeiro em Portugal, com grandes operações de M&A e reestruturações, em setores como a Banca, Energia, Telecomunicações, Infraestruturas e Imobiliário, que foram importantes oportunidades para, apoiando os nossos clientes, reforçarmos a nossa posição no mercado português”, destacou o managing partner. Acrescentou também o período da Covid-19.
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Escritório da Uría Menéndez em Lisboa Hugo Amaral/ECO -
Escritório da Uría Menéndez em Lisboa Hugo Amaral/ECO -
Escritório da Uría Menéndez em Lisboa Hugo Amaral/ECO -
Escritório da Uría Menéndez em Lisboa Hugo Amaral/ECO -
Escritório da Uría Menéndez em Lisboa Hugo Amaral/ECO -
Escritório da Uría Menéndez em Lisboa Hugo Amaral/ECO -
Escritório da Uría Menéndez em Lisboa Hugo Amaral/ECO
Apesar de considerar que não tenha existido um momento particular que tenha levado à redefinição do posicionamento da Uría enquanto sociedade, Antonio Villacampa sublinha que os ciclos de crise económica e recuperação vividos ao longo dos 25 anos foram “decisivos”. Isto, porque exigiram uma capacidade de adaptação às novas circunstâncias e às novas necessidades que as mesmas implicavam, tendo, por exemplo, “levado a um reforço das nossas capacidades em determinadas áreas, como reestruturações, contencioso e regulatório, tornando evidente a importância de um escritório com escala e especialização para responder em qualquer cenário”.
Portugal como peça-chave da estratégia ibérica
A chegada de um escritório internacional a outro país pode ser um desafio principalmente no que diz respeito à sua cultura originária e à forma como se integra noutro mercado e adapta-se à identidade local. Mas Marta Pontes garante que no caso da Uría a chave mestra na integração foram os princípios comuns, como a excelência e a ética, mobilidade e trabalho integrado em equipas transfronteiriças, e mecanismos de gestão, formação, avaliação e progressão de carreira totalmente alinhados.
“A cultura comum é algo que se constrói todos os dias, quando fomentamos o trabalho com equipas de vários escritórios, realizamos formações comuns, enviamos os nossos advogados em secondment para outros escritórios, organizamos reuniões de áreas conjuntas”, disse. Segundo a managing partner, o objetivo é que todos possam sentir que “fazem parte de uma mesma casa, com as mesmas políticas e valores, no fundo, que todos fazemos parte de uma grande equipa, coesa e solidária, que tem o mesmo objetivo: sermos os melhores”.

À Advocatus, Antonio Villacampa garante também que Portugal é uma “peça-chave” da lógica ibérica e um ponto “natural” de ligação a fluxos internacionais: “é hoje claramente um hub estratégico”. O advogado acrescenta ainda que a presença em Lisboa permite ter uma oferta integrada a clientes com necessidades na Península Ibérica.
“O crescimento da sofisticação do mercado local, a internacionalização das empresas portuguesas e a relevância de Portugal como local de investimento explicam a nossa estratégia. A participação de sócios portugueses nos principais órgãos do escritório e a realização regular de reuniões anuais de sócios em Lisboa refletem a plena integração da equipa portuguesa na dinâmica e na estratégia global”, disse Antonio Villacampa.
Há 25 anos no mercado português, e sendo hoje reconhecida como uma marca no topo do mercado, o managing partner adiante que a “consistência” na qualidade dos serviços foi fundamental para consolidar a reputação da Uría. “Os clientes e os nossos concorrentes conhecem bem a qualidade técnica e humana dos nossos advogados, que têm um compromisso total com o rigor e a excelência, e isso é o que nos tem permitido, ao longo de 25 anos, estar presentes em grande parte das operações e litígios mais relevantes do mercado”, sublinha, destacando ainda a estabilidade institucional.

“Portugal é um mercado relativamente pequeno, onde a reputação, a proximidade e a rapidez de execução contam muito. Há também um peso relevante de setores regulados (energia, infraestruturas, banca, telecomunicações), uma dinâmica forte de investimento estrangeiro e uma realidade jurídica e administrativa própria que exigem um profundo conhecimento local”, descreve Marta Pontes sobre o mercado português.
No que toca às áreas de prática que ganharam maior relevância ao longo destes últimos 25 anos, os líderes destacaram Corporate/M&A, Imobiliário, Reestruturações e Insolvências e Energia, que acompanharam a transformação do tecido económico e as grandes operações. “A par destas, áreas ligadas à economia digital, compliance e regulação ganharam também uma importância crescente, refletindo as novas exigências regulatórias e a evolução das necessidades dos nossos clientes”, acrescenta Antonio Villacampa.
Da afirmação local à sofisticação do modelo
O projeto da Uría Menéndez começou em Portugal tendo um único sócio local e diretor do escritório, Duarte Garin, e segundo Marta Pontes teve um papel “absolutamente essencial” na afirmação estratégica do escritório e na consolidação da sua integração.
“Em conjunto com o Duarte e os outros sócios que se seguiram, foram determinantes para estabelecer a ambição, o posicionamento e os padrões de qualidade que desde o início nortearam o nosso projeto em Portugal. A sua capacidade para atrair e fidelizar clientes, formar equipas, implementar as políticas e os valores da firma e criar ligações com as demais equipas do escritório em Espanha, foi essencial para que o projeto se afirmasse e crescesse de forma sustentável”, refere Marta Pontes.
Mas ao longo dos anos o modelo de gestão da sociedade foi evoluindo no sentido de “maior institucionalização” e “sofisticação”. “Maior especialização por práticas, gestão integrada de talento e conhecimento, e coordenação mais estreita entre escritórios para responder a clientes globais. Ao mesmo tempo, preservou-se um modelo de partnership exigente, com forte foco em formação e qualidade”, descreve Antonio Villacampa.

No futuro, os líderes projetam uma firma “altamente tecnológica” e com uma equipa “robusta” e “multidisciplinar. “Imaginamos uma Uría Menéndez altamente tecnológica, mas onde o pensamento jurídico, a definição da estratégia e a relação com os clientes continuará a ser profundamente humana, sem nunca abdicar dos nossos valores. Será certamente uma referência também em setores-chave da transformação económica, como a transição energética e a digitalização”, nota Marta Pontes.
Mas será possível crescer no futuro ou é preferível uma consolidação? “As duas coisas não são incompatíveis: pode haver crescimento seletivo, orientado por necessidades do mercado e dos clientes, mas o foco principal tende a ser especialização com a escala certa. Ou seja, reforçar áreas estratégicas e capacidades diferenciadoras, garantindo que qualquer crescimento preserva a qualidade e a cultura”, revela Antonio Villacampa.
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