Autarca de Sines alerta para pressão dos grandes investimentos: “Não se encontram rendas a menos de 2.000 euros”
Autarca alerta que investimento privado tem de ser acompanhado de investimento público. Faltam acessibilidades, o imobiliário está demasiado caro e as escolas estão cheias, alerta Álvaro Beijinha.
O presidente da Câmara Municipal de Sines alertou esta quarta-feira que a população local está “extremamente apreensiva” com os 20 mil milhões de euros de investimento privado previsto para o concelho, onde se inserem projetos como o grande centro de dados da Start Campus e a fábrica de baterias da CALB. Álvaro Beijinha, da CDU, defendeu que “este investimento privado tem de ser obrigatoriamente acompanhado de investimento público”, sob pena de se exacerbar a pressão que já se sente nesta região.
“A população está de facto apreensiva porque falta tudo o resto. Investimento privado de facto não falta, mas faltam acessibilidades; falta habitação, que é a questão central neste momento; a escola está completamente cheia…”, destacou o autarca, acrescentando: “No mercado imobiliário, no arrendamento, não se encontra nada a menos de 2.000 euros. Um apartamento T2 com 30 anos custa 300 mil euros em Sines”, apontou, lembrando que o concelho “até é dos municípios do país com salário médio mais alto”.
O autarca lembrou que “o projeto de Sines” — onde se localiza a maior zona industrial do país –, “quando foi construído, construiu-se uma cidade, Vila Nova de Santo André; construíram-se acessibilidades em autoestrada, entre Sines e Santo André e entre Sines e Santiago [do Cacém]. Passados 50 anos, ainda não temos uma ligação à A2. A ferrovia de mercadorias agora é que está a ser terminada. Não temos comboios de passageiros, o que é fundamental para diminuir a pressão do ponto de vista imobiliário”, denunciou.
“Muitos daqueles investimentos têm benefícios fiscais enormes. No caso que é público, a fábrica de baterias da CALB tem um pacote de benefícios fiscais na ordem dos 350 milhões de euros. Uma parte deste dinheiro, seguramente, resolveria alguns dos problemas”, adicionou.
Álvaro Beijinha falava num debate promovido pela Câmara de Comércio Americana em Portugal (AmCham) acerca das oportunidades de investimento em data centers no país, à luz da massificação da inteligência artificial (IA), minutos depois de o CEO da EDP, Miguel Stilwell, ter explicado que existem 7 GW de pedidos de ligação à rede elétrica “para serem instalados nos próximos cinco a dez anos”.
Este volume compara “com uma procura de ponta de 10 GW no país”, pelo que “estamos a falar de duplicar o consumo do país nos próximos anos e só a Start Campus representaria 20% do consumo de Portugal”, apontou o líder da maior elétrica nacional.
Só no exemplo da Start Campus, está previsto que a infraestrutura tenha 1,2 GW de capacidade quando estiver totalmente construída e em funcionamento, número que, segundo Álvaro Beijinha, corresponde à capacidade de geração da antiga central termoelétrica da EDP — que fica imediatamente ao lado do data center e foi desativada em 2021. “A população local pergunta: ‘então, com um data center ali ao lado, isto fechou?’ Isso não foi discutido com as pessoas”, atirou.
O autarca, que antes da vitória em Sines nas autárquicas de 2025 liderou o concelho vizinho de Santiago do Cacém durante 12 anos, contou como alertou o então secretário de Estado da Energia, João Galamba, para a necessidade de “envolver a população local e as autarquias locais”. “Isso, pela experiência que tenho, não foi feito”, lamentou.
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