Bélgica pede a cidadãos que preparem kit de emergência face a “contexto internacional instável”

  • Lusa
  • 22 Abril 2026

Produtos de higiene e primeiros socorros, carregador de telemóvel, bateria externa, canivete, apito, água, biscoitos, papel e caneta são alguns dos artigos a incluir no "kit de emergência".

As autoridades belgas pediram à população que prepare um “kit de emergência” com alimentos, medicamentos e produtos essenciais que permitam viver de forma autónoma durante três dias, face ao risco de catástrofe.

Trata-se de uma adaptação ao “contexto internacional instável” e ao risco de catástrofes naturais relacionadas com as alterações climáticas, afirmou o ministro do Interior belga, Bernard Quintin.

Em caso de necessidade, pretende-se que os serviços de emergência se concentrem nos cidadãos mais vulneráveis, uma vez que o maior número possível de pessoas pode ser autossuficiente durante as primeiras horas da crise.

A Bélgica responde assim a uma exigência da Comissão Europeia no âmbito da sua estratégia “Preparação 2030”, revelada no ano passado, num contexto de ameaça russa resultante da invasão da Ucrânia em 2022.

A comissária europeia responsável pelas situações de crise, Hadja Lahbib, saudou na rede social X a iniciativa da Bélgica.

O “kit de emergência”, que pode ser transportado numa mochila em caso de ordem de evacuação, deve conter os principais documentos de identificação, produtos de higiene e de primeiros socorros básicos, um carregador de telemóvel, uma bateria externa, um canivete multifunções e um apito para sinalizar a sua presença às equipas de socorro.

É também importante prever pelo menos um litro de água por pessoa, alguns biscoitos, frutos secos ou barras energéticas, uma caneta esferográfica e papel.

Pode-se manter em casa outro ‘kit’ mais completo, para o caso de ser necessário refugiar-se, potencialmente sem eletricidade, água ou acesso à Internet. Recomenda-se incluir um rádio.

Os belgas são convidados a discutir entre vizinhos como se podem ajudar mutuamente, sabendo que é possível constituir um “kit de emergência comum” num prédio ou numa habitação partilhada.

“A questão não é assustar, mas sim não enterrar a cabeça na areia”, afirmou Bernard Quintin na rádio pública francófona RTBF.

O ministro belga referiu-se à atual situação geopolítica, “mais preocupante do que há dez, quinze ou vinte anos”, e recordou também que a Bélgica foi atingida no verão de 2021 por inundações “ligadas às alterações climáticas” que causaram cerca de 40 mortos.

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