CEO da EDP diz que medidas de apoio na eletricidade é questão “que nem se põe”
Para Miguel Stilwell, "Portugal não tem um problema" no mercado elétrico, onde o preço da energia no primeiro trimestre foi metade do verificado no ano passado. "Nem se põe a questão" de ter medidas.
O CEO da EDP defende que as medidas políticas para responder à escalada dos preços da energia na Europa devem ser “focadas, direcionadas, limitadas no tempo e muito orientadas para resolver o problema do lado dos combustíveis fósseis”. Em simultâneo, rejeita que haja a necessidade de medidas para o mercado da eletricidade.
“Acho que Portugal não tem um problema”, disse ao ECO o presidente executivo do grupo EDP, à margem de um evento que decorreu esta quarta-feira de manhã, em Lisboa, referindo-se apenas ao mercado de eletricidade. “Portanto, acho que nem se põe essa questão de ter que ter medidas” no mercado elétrico português, sublinhou, ainda antes do anúncio de mais medidas pela Comissão Europeia para fazer face aos aumentos de preços dos combustíveis.
Miguel Stilwell recordou que “no primeiro trimestre deste ano o preço da energia [elétrica] foi metade do preço do ano passado”, já incluindo o efeito da situação no Médio Oriente, com encerramento do Estreito de Ormuz. “Tivemos muita água, tivemos muito vento, portanto, temos uma grande penetração de energias renováveis. O gás sobra com 15% das horas [de geração] neste primeiro trimestre”, afirmou.
Em março, o Governo aprovou legislação que permite limitar os preços da eletricidade para os consumidores domésticos e empresas, caso um cenário de crise energética se venha a materializar também neste mercado. Na altura, o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, disse que Portugal estava “longe” desse cenário. No mesmo mês, contudo, a ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, declarou que o país estava “a ficar perto” do cenário de crise energética.
A primeira medida que os governos deveriam tomar é reduzir os impostos ao cliente final.
Recusando comentar “a parte dos combustíveis”, por não ser a sua especialidade — lidera a maior empresa de eletricidade do país em quota de mercado –, o gestor pede, em alternativa, políticas que “incentivem o desenvolvimento e o investimento nas energias que são mais competitivas, renováveis, e que permitam à Europa ser mais autónoma e mais competitiva”.
Esta quarta-feira, no evento que foi promovido pela Câmara do Comércio Americana em Portugal, para discutir oportunidades de investimento em centros de dados, Miguel Stilwell rejeitou existir uma “crise energética”, preferindo falar de uma “crise dos combustíveis fósseis”. E insistiu também na descida dos impostos sobre a energia.
“Muitas vezes, misturamos o custo da energia com o preço da fatura final. É um tema com que me tenho batalhado bastante. A fatura da energia tem componentes de energia, de redes, de CO2 (que os Estados Unidos não têm) e os impostos. A primeira medida que os governos deveriam tomar é reduzir os impostos ao cliente final”, declarou.
Miguel Stilwell interveio e falou à margem com o ECO antes de serem divulgadas as propostas da Comissão Europeia para “proteger os cidadãos europeus da crise da energia fóssil”. Entre as ideias avançadas por Bruxelas está a criação de um Observatório de Combustíveis, a adoção de “medidas oportunas, direcionadas e temporárias” e “a aceleração da transição para energia limpa” produzida na União Europeia.
A Comissão quer ainda mais investimentos na rede elétrica e pretende organizar uma cimeira com a indústria financeira para desbloquear financiamento que dê resposta a estes problemas.
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