Floresta nacional passa a ter novos investidores
A Fidelidade conseguiu reunir quatro grandes empresas portuguesas em torno da floresta nacional. O fundo que gere estas apostas acaba de ver o seu capital duplicar para 12 milhões de euros.
- A Fidelidade anunciou o reforço do Fundo Florestas de Portugal com a entrada de quatro novos investidores, elevando o capital para 12 milhões de euros.
- O fundo tem 11,8 milhões de euros e um portefólio imobiliário de 3,9 milhões de euros, composto por 370 hectares de uma propriedade no Alentejo.
- O gestor do fundo revela a ambição de aumentar os ativos sob gestão para 20 milhões de euros até ao final de 2026 com a entrada de novos investidores ou o reforço das posições dos atuais subscritores.
A floresta tem novos guardiões que carregam uma forte capacidade financeira. A Fidelidade anunciou esta quarta-feira o reforço do Fundo Florestas de Portugal, um fundo de investimento imobiliário fechado gerido pelo braço de gestão de ativos reais do grupo Fidelidade, com a entrada de quatro novos investidores de peso: Corticeira Amorim, Jerónimo Martins, Mota-Engil e REN, juntando-se à própria Fidelidade, que já era o principal promotor do projeto.
O capital deste fundo fechado passa agora a rondar os 12 milhões de euros, o dobro do valor com que foi aprovado pela CMVM em 2023, quando a seguradora lançou a iniciativa em modo solitário.
A adesão de empresas tão díspares — uma corticeira, uma retalhista alimentar, uma construtora e uma operadora de redes de energia — sugere que o apetite pelo investimento florestal já não é exclusivo do setor segurador ou ambiental.
O fundo tem 11,8 milhões de euros e um portefólio imobiliário de 3,9 milhões de euros, composto por 370 hectares de uma propriedade no Alentejo.
O fundo, classificado como dark green ao abrigo do artigo 9.º do regulamento europeu SFDR, o mais exigente em matéria de sustentabilidade, tem como objetivo valorizar o capital investido através da gestão ativa de propriedades rústicas, incluindo a geração de créditos de carbono.
Para os investidores empresariais, estes créditos podem ser uma forma de compensar emissões próprias no âmbito das suas estratégias de descarbonização, o que ajuda a explicar o interesse transversal a setores tão diferentes neste projeto que assenta em três dimensões complementares:
- Ambiental: centrada na gestão florestal sustentável, na promoção da biodiversidade e na minimização ativa do risco de incêndio, por via do investimento em propriedades florestais e entregando a sua exploração a entidades externas especializadas.
- Social: com foco na dinamização da economia local e na criação de emprego no interior do país por via do investimento de propriedades no interior de Portugal.
- Financeira: que sustenta o modelo: uma rentabilidade capaz de garantir a viabilidade económica do fundo, que Manuel Álvares de Calvão, administrador executivo da sociedade gestora da Fidelidade e gestor do fundo, aponta para uma taxa média anual de 6% no longo prazo.
O fundo investe exclusivamente em florestas portuguesas e é obrigado a alocar pelo menos 50% da sua carteira a espécies autóctones.
O horizonte de investimento é de 20 anos, com períodos de renovação de cinco anos, apresenta uma taxa de comissão de gestão de 1% e nos dois primeiros anos de vida do fundo apresenta uma rendibilidade média anual abaixo dos 1,5%, como resultado de estar numa fase de arranque marcada por atualmente ter cerca de dois terços da carteira em liquidez, alocado sobretudo em depósitos a prazo.
Estamos a prever um novo reforço de capital até ao final de 2026 que gostaríamos de atingir 20 milhões de euros, e por isso estamos abertos a novos investidores e à aquisição de novas propriedades para crescimento do portefólio.
Atualmente, o fundo tem 11,8 milhões de euros e um portefólio imobiliário de 3,9 milhões de euros, composto por 370 hectares de uma propriedade no Alentejo adquirida no ano passado, que contará com mais uma propriedade com cerca de 670 hectares em Trás-os-Montes.
Mas Manuel Álvares de Calvão não esconde as ambições. “Estamos a prever um novo reforço de capital até ao final de 2026 que gostaríamos de atingir 20 milhões de euros, e por isso estamos abertos a novos investidores e à aquisição de novas propriedades para crescimento do portefólio”, afirmou esta quarta-feira aos jornalistas, notando que o fundo “está sempre aberto a integrar novos investidores”, com o objetivo declarado de “ampliar e atrair novas empresas”.
Doze milhões de euros são, contudo, uma quantia relativamente modesta para a dimensão do desafio florestal português. Para efeitos de comparação, o Portuguese Forest Fund — uma iniciativa da Lynx Asset Managers, Smart Forest e Crowe, aprovada pela CMVM em 2019 — chegou a anunciar uma meta de 100 milhões de euros para gerir 50 mil hectares de floresta, apostando igualmente em espécies autóctones de crescimento lento.
Além destes veículos privados, existe também a Floresta Atlântica — Sociedade Gestora de Fundos de Investimento Imobiliário, registada no Banco de Portugal, que opera neste mesmo segmento.
A gestão das propriedades inclui a prevenção de incêndios, a promoção da biodiversidade e a recuperação de ecossistemas degradados, dimensões que ganham relevância crescente num país que perdeu, só em 2017, mais de 400 mil hectares de floresta para o fogo.
Com um total de ativos sob gestão de cerca de 370 milhões de euros, distribuídos por três fundos, incluindo os imobiliários IMOFID e IBERFID, o braço de gestão de ativos reais do grupo Fidelidade, posiciona o Fundo Florestas de Portugal como o veículo mais ambicioso em termos de impacto ambiental, ainda que o mais pequeno em dimensão financeira.
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