Exclusivo “Invisible insurance não significa que o cliente não sabe que está a comprar um seguro”, defende Yuri Poletto
Yuri Poletto, fundador do Embedded Insurance Observatory, defende que o principal desafio para o seguro integrado em bens e serviços é governança, transparência e a relação entre parceiros.
Segundo dados recolhidos pelo Open & Embedded Insurance Observatory, que investiga e oferece serviços de consultoria sobre as aplicações do seguro aberto e do seguro integrado (embedded), cerca de 30% das apólices globais deverão ser integradas em produtos e serviços num futuro próximo e a conversão no momento de compra aumenta 60% quando o seguro está presente no checkout, explicou durante a conferência “Seguros em Movimento: Novos Modelos de Relacionamento” realizada na Católica-Lisbon. Para Yuri Poletto, Founder & Executive Director do Embedded Insurance Observatory, o modelo de embedded insurance vai continuar a crescer.

À margem do mesmo evento, em entrevista exclusiva a ECOseguros, Poletto foi mais longe. Para o especialista, a responsabilidade regulatória na embedded insurance deve ser partilhada, mas a sua gestão está longe de ser simples. “As seguradoras têm a sua própria regulação a cumprir, e a regulação das plataformas depende do papel que desempenham na distribuição destes seguros embedded“, explica.
As plataformas com maior maturidade/escala estão progressivamente a assumir mais etapas da cadeia de valor – algumas obtendo licenças de corretagem ou mediação. A Tesla é um desses casos: presente nos EUA e em vários mercados europeus, a marca gere internamente toda a componente regulatória que advém da distribuição de seguros, recorrendo a seguradoras terceiras apenas para a subscrição do risco.
As seguradoras são tecnicamente mais equipadas para lidar com a regulação, reconhece Poletto, mas nem sempre conseguem traduzir esse conhecimento em parcerias eficazes. “Há barreiras culturais e também barreiras internas dentro das seguradoras. Mas isso deve ser feito de forma intuitiva, a colaboração [para respeitar normas de governance] deve existir, mas na prática, é sempre mais difícil de implementar.”
Sobre o impacto no preço final para o consumidor, a resposta não é linear. O seguro tem um custo, e a seguradora precisa de ser remunerada pelo risco que assume, defende Poletto. Mas em determinados contextos, o seguro acaba por melhorar o perfil de risco do cliente, o que pode justificar um desconto no produto base. Ou seja, em determinados contextos, ter um seguro embedded pode, paradoxalmente, baixar o preço do produto principal. Noutros, representa simplesmente um custo adicional diluído no preço final. Poletto garante no entanto que o conceito de invisible insurance “não significa que o cliente não sabe que está a comprar um seguro. Significa que este está totalmente integrado no produto ou serviço.”
O especialista defende assim que o cliente deve sempre saber o que está a comprar. “Os distribuidores são os primeiros a ter interesse em ser totalmente transparentes com os seus clientes. São os clientes deles“, sublinha.
Poletto acredita então que o futuro do setor segurador passa pela embedded insurance, alcançando clientes de forma mais imediata e em segmentos em que tradicionalmente não o faria.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
“Invisible insurance não significa que o cliente não sabe que está a comprar um seguro”, defende Yuri Poletto
{{ noCommentsLabel }}