IP regista lucro recorde em 2025, apesar de ganhar menos 21 milhões nas portagens após fim das SCUT

Investimento da IP baixou com a conclusão da generalidade dos projetos do Ferrovia 2020. Empresa acelerou execução do PRR, que ascendeu a 206 milhões em 2025, face aos 90 milhões em 2024.

A Infraestruturas de Portugal fechou o último ano com um resultado líquido de 135 milhões de euros, o que representa o valor mais elevado desde a sua criação, em 2015, e compara com os lucros de 124 milhões registados no ano anterior, adiantou a empresa em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

A empresa responsável pela gestão da infraestrutura rodoviária e ferroviária nacional registou rendimentos operacionais de 1.547 milhões de euros, um número que ficou em linha com o apresentado em 2024. A IP explica que os rendimentos foram impulsionados pela consignação do serviço rodoviário (+19 milhões de euros) e pela tarifa de utilização da infraestrutura ferroviária (+8 milhões de euros), enquanto as portagens das vias IP caíram 21 milhões de euros, após o fim das SCUT em sete autoestradas do interior e Algarve.

A empresa destaca ainda a redução de rendimento com as Indemnizações Compensatórias (-65 milhões de euros) em resultado do aumento do rendimento com subsídios à exploração (+69 milhões de euros) principalmente dirigidos à atividade ferroviária.

Os lucros foram justificados “pela manutenção dos rendimentos e pelo aumento dos gastos operacionais ter sido mais do que compensado com a diminuição dos gastos financeiros e com impostos”, refere a companhia ainda liderada por Miguel Cruz, no dia em que foi conhecido que Paulo Carmona o substituirá no cargo em maio. O resultado operacional ascendeu a 319 milhões de euros.

Mais de 200 milhões do PRR executados

O investimento global ascendeu a 639 milhões de euros, menos 137 milhões que os 776 milhões de euros em 2024, “refletindo por um lado um menor investimento ferroviário associado à conclusão da generalidade dos projetos do Ferrovia 2020 e de uma mudança de ciclo de financiamento do investimento ferroviário”.

Em simultâneo, a empresa destaca “o forte crescimento do investimento rodoviário, nomeadamente associado à elevada execução do PRR, que ascendeu a 206 milhões de euros (90 milhões de euros em 2024), sendo de destacar que a IP cumpriu todos os marcos definidos para a verificação nacional dos investimentos PRR sob sua responsabilidade, incluindo o cumprimento de duas metas finais”.

Os gastos operacionais fixaram-se em 1.234 milhões de euros, o que marca um crescimento de cerca de 16 milhões de euros face ao ano anterior, “essencialmente justificado pelo crescimento dos valores associados à conservação e manutenção das redes rodoviária e ferroviária, os quais ascenderam a 245 milhões de euros, mais 17 milhões de euros do que o valor executado em 2024″.

A IP realça ainda uma melhoria de 12 milhões de euros ao nível do resultado financeiro, devido à descida dos juros afetos às subconcessões, face à descida do passivo associado. A dívida financeira registou uma redução de 72 milhões de euros, recuando para 3.216 milhões de euros, no final de dezembro.

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