“Península Ibérica é mais competitiva do que alguns estados americanos”, diz CEO da EDP
"Quando se compara Europa com EUA, estamos a comparar médias que não dizem nada", avisa Miguel Stiwell, líder da EDP. Península Ibérica tem preços da energia mais baixos para a indústria, lembrou.
O CEO da EDP criticou esta quarta-feira quem considera que a Europa é menos competitiva do que os EUA, falando em “generalizações” que geram “mal entendidos”, e sublinhou que a Península Ibérica “é mais competitiva do que alguns estados americanos”.
Intervindo numa conferência da Câmara de Comércio Americana em Portugal (AmCham) dedicada à indústria dos centros de dados, que decorre em Lisboa, Miguel Stilwell incentivou também os industriais que estejam inclinados a deslocalizarem fábricas da Europa para os EUA a trazerem-nas para o território ibérico, onde os preços grossistas da energia são mais acessíveis.
Na intervenção, Miguel Stilwell declarou que “o tema da competitividade da Europa é uma discussão que não está bem posta”. “Quando se compara a Europa com os EUA, estamos a comparar médias que não dizem nada. A Califórnia tem preços diferentes do Texas, Indiana e Nova Iorque. Existem muitas realidades dentro dos EUA e dentro da Europa. Comparar a Alemanha com a Escandinávia não é a mesma coisa”, apontou.
“Vendemos energia às big techs nos EUA e cá, e vendemos mais barato cá do que lá. São factos”, atirou o gestor português, alertando, porém, que “para que se mantenha barata, é preciso investir no lado da geração”.
Portugal “particularmente bem posicionado” para captar data centers
Num momento em que se antecipa um aumento muito significativo da procura por energia, devido a indústrias como a dos centros de dados e inteligência artificial, carros elétricos e produção de hidrogénio, o CEO da EDP falou numa “mudança de paradigma”, com a procura em Portugal, em particular, a crescer “bastante acima” da média europeia.
O gestor falou do novo processo das zonas de grande procura, lançado pelo Governo este ano, apontando que “havia mais de 40 GW de pedidos” de ligação à rede elétrica, quando a procura de pico em Portugal é atualmente de 10 GW. “Em resultado deste processo, só 5,6 GW é que colocaram garantias, e garantias bastante fortes, com calendários”, indicou.
Ora, “se somarmos a isso o data center da Start Campus [em Sines], de 1,2 GW, mais o da Merlin [em Castanheira do Ribatejo], estamos a falar de 7 GW de pedidos de ligação”. “7 GW pedidos para serem instalados nos próximos cinco a dez anos, comparados com uma procura de ponta de 10 GW. Estamos a falar de duplicar o consumo do país nos próximos anos e só a Start Campus representaria 20% do consumo de Portugal”, enalteceu.
Em suma, “há aqui muito investimento latente e potencial”, e Portugal está “particularmente bem posicionado” para atrair este novo investimento em centros de dados e infraestrutura de inteligência artificial, com uma oferta robusta de energias renováveis e preços 20% abaixo da média europeia. Mas “é preciso criar as condições para que possa vingar”, advertiu também o CEO da EDP.
Por um lado, “são precisos investimentos da REN e da ERedes”, com planos que representam “mais 70% de investimento nas redes” elétricas nos próximos cinco anos, num processo pendente que está “bem encaminhado para ser aprovado pelo Governo”, sinalizou o CEO da EDP. Por outro lado, é necessário investir em geração, para não desequilibrar a oferta e a procura.
O grande problema, porém, é outro: a demora nos licenciamentos. “Um licenciamento de um projeto eólico ou solar pode demorar cinco ou seis anos a fazer” e 18 meses a construir, indicou. “Se os processos demorarem tanto, será impossível licenciar e desenvolver a capacidade necessária” para ir ao encontro das necessidades da indústria, sublinhou Miguel Stiwell — reconhecendo, todavia, que o caso de Portugal “não é o pior” da Europa.
Este mês, foi publicado um plano do Governo no Diário da República que promete licenciamentos mais simples e rápidos, e a AICEP como ponto único de contacto para os investidores. A política do Executivo pretende criar condições para atrair mais investimento em centros de dados no país.
(Notícia atualizada pela última vez às 10h30)
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