Porto de Leixões confiante que Justiça não vai travar novo terminal de contentores

João Neves respondeu pela primeira vez às críticas ao plano estratégico do Porto de Leixões, argumentando que o projeto é bom para o município e diz que está a trabalhar em medidas de mitigação.

Debaixo de grande contestação pública, o plano estratégico para o Porto de Leixões até 2035 deverá, com ou sem apoio da Câmara de Matosinhos, sair do papel para devolver a competitividade e dar a capacidade necessária à infraestrutura, defende a Administração do Porto de Leixões. Sobre a possibilidade do município tentar travar o plano na Justiça, o presidente da Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL) argumenta que se podem “discutir medidas de mitigação, não o projeto em si“, rebate.

Não acredito que possa haver um processo a pôr em causa um projeto destes“, afirmou João Neves, destacando que o interesse público se sobrepõe, numa primeira reação à onda de críticas públicas que têm surgido ao plano estratégico apresentado no passado mês de janeiro. Questionado sobre a possibilidade de os municípios avançarem com processos legais para travar a execução do projeto, João Neves respondeu sem hesitação: “Não estamos receosos que isso aconteça“.

Mostrando-se surpreendido com as petições públicas de cidadãos, o presidente do Porto Leixões defende que “temos atualmente um terminal de contentores que está em frente à cidade e o que queremos é deslocar o terminal de contentores de frente da cidade para a zona mais afastada de onde as pessoas dormem e descansam”, explicou.

A falar numa sessão de esclarecimentos organizada pela AGEPOR, que recentemente avisou que este plano é “essencial” para que o porto possa continuar a ser o centro das ligações internacionais do noroeste da Península Ibérica e “a vista de uns quantos apartamentos para quem os pode comprar, os interesses imobiliários e outros, não se podem sobrepor ao interesse de toda uma região e de todo um país“, o presidente do Porto de Leixões defendeu o projeto: Achamos que estamos a trazer uma boa notícia ao município”.

João Neves argumentou ainda que, no que diz respeito à vista da praia, “grande parte dos contentores fica escondido pelo atual muro-cortina do quebra-mar” e reiterou que a nova marinha, que vai ser relocalizada para junto do terminal de cruzeiros, terá o dobro do espaço e “do lado de fora causa mais simpatia do que esta”, que “convive com terminal petroleiro”.

Oferecer à cidade 80 mil m² de espaço público, isto é gerar valor para a comunidade, é trazer, dar às pessoas a possibilidade de usar um território que antes estava vedado, que era só portuário“, defendeu ainda.

Apesar das críticas feitas pela autarca de Matosinhos, o presidente do Porto de Leixões reforçou a existência de relações institucionais “muito boas” e afirmou que a infraestrutura está a trabalhar com o município, com quem reuniu na semana passada, em formas de mitigar o impacto para a cidade, nomeadamente trabalhando com clubes e a marina, com os quais está a preparar “um protocolo para assinar com todos eles”, apontando soluções individuais para estes clubes.

Concurso para concessão de novo terminal de Leixões arranca em 2027. Yilport fica até 2035

Apesar de recusar alimentar a polémica, João Neves não deixou de responder às críticas da Yilport, a atual concessionária do terminal de contentores de Leixões. A Yilport considerou que o projeto para a construção do novo terminal Norte do Porto de Leixões é a “pior opção”, é “insustentável a médio e longo prazo” e corre o risco de se tornar “obsoleto antes mesmo de recuperar o investimento”. A empresa argumenta que as alternativas já estudadas, como o novo terminal Sul ou a melhoria do atual, apresentam “benefícios superiores”.

“Em primeiro lugar estranhámos [as críticas] porque a Yilport esteve envolvida no plano estratégico e o Norte nunca foi problema”, atirou, acrescentando que a opção Norte era a solução da Yilport defendia em 2019, quando a APDL achou que se devia ir para o Sul.

“Agora diz que o melhor é ir para o oeste”. Sobre as questões relacionadas com o layout, João Neves refere que “o layout que nós indicamos é meramente indicativo porque não vamos limitar a solução de layout aos concessionários que vierem a jogo“, explicou.

“Como vai ser mudado o layout, o concessionário que vier ao concurso é que vai dizer, eu quero as linhas perpendicular ao cais, quero paralelas, vai escolher uma forma que seja o mais eficiente possível”, detalhou.

Sobre as críticas em relação à capacidade de receber navios maiores, o presidente do Porto de Leixões responde que “em qualquer momento, a APDL pode, se houver necessidade, se houver navios de 12 mil TEU, ou navios de 16 mil TEU, dragar a bacia para menos de 17 e o navio vem”.

“Está acautelado um possível aumento da dimensão do navio“, garante. Além disso, “o terminal de contentores novo tem em si um feixe na retaguarda para poder operar o comboio”, afiança, acrescentando que é necessário as acessibilidade ferroviárias para o comboio chegar. “Mas este problema coloca-se, quer haja porto fora dos limites atuais, quer não haja“.

O presidente do Porto de Leixões voltou a justificar o facto da administração portuária ter avançado para a opção Norte, após a saída da refinaria da Galp, o que abriu “uma oportunidade portuária”.

“O Sul era um processo aprovado, mas agora tínhamos uma oportunidade de fazer uma coisa diferente por Norte”.

O novo terminal, com uma capacidade de um milhão de TEU [capacidade real que nós temos são 580 mil TEU], irá ocupar a zona da atual marina de Leça da Palmeira e parte do terminal petrolífero. Segundo adiantou o presidente da administração portuária, o “lançamento da concessão será em 2027″.

Antes disso, e já fechado, está um acordo com a Yilport para investir mais 100 milhões de euros no porto de Leixões, tornando-o capaz de receber navios de até 10 mil TEU dentro de dois anos, em troca de um aditamento da concessão atual em cinco anos, até 2035.

Caso o novo terminal esteja concluído antes de 2035, a administração admite estar com os dois terminais em funcionamento. “Não descartamos começar mais cedo e ter dois concessionários diferentes, ou o mesmo“, frisou.

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