Portugal no top 5 dos maiores excedentes da UE em 2025
Portugal integrou, no ano passado, o grupo restrito dos cinco países da UE com superávit, ao registar um saldo de 0,7%, num ano em que a maioria dos Estados-membros teve défices.
Portugal integrou, em 2025, o grupo restrito dos cinco países da União Europeia (UE) com excedente orçamental, confirmando uma trajetória de consolidação das contas públicas que contrasta com a maioria dos Estados-membros ainda em défice. Os dados divulgados, esta quarta-feira, pelo Eurostat colocam o país entre os desempenhos mais sólidos do bloco comunitário.
O excedente orçamental de 0,7% do PIB apresentado pelo ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, superou em quatro décimas as previsões do Governo e colocou Portugal como o quinto país com o maior saldo positivo entre os Estados-membros.
“Em 2025, todos os Estados-membros, exceto Chipre (+3.4%), Dinamarca (+2.9%), Irlanda (+1.8%), Grécia (+1.7%) e Portugal (+0.7%), registaram défice”, o que significa que apenas cinco países conseguiram manter as contas públicas em terreno positivo, segundo o gabinete europeu de estatística. Entre eles, Portugal apresentou um excedente de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a cerca de 2.059 milhões de euros.
Este resultado consolida uma sequência iniciada após a pandemia: depois de um défice de 0,3% do PIB em 2022, Portugal registou excedentes de 1,1% em 2023, 0,6% em 2024 e agora 0,7% em 2025. Trata-se de uma estabilização em níveis moderados, mas consistentes, que reflete uma combinação de crescimento económico e contenção da despesa.
Ainda de acordo com o gabinete de estatísticas europeu, em 2025, a economia portuguesa atingiu um PIB de 306.765 milhões de euros, permitindo diluir o peso das finanças públicas. A receita do Estado representou 43,4% do PIB, enquanto a despesa se fixou em 42,7%, garantindo um saldo positivo, ainda que com uma margem relativamente curta.
O Eurostat sublinha que “as receitas e despesas públicas aumentaram em percentagem do PIB tanto na zona euro como na UE”, mas o caso português distingue-se por manter um diferencial favorável entre ambas, ao contrário da maioria dos parceiros europeus.
Redução expressiva da dívida
A par do excedente, Portugal continua a destacar-se pela redução do rácio da dívida pública. Em 2025, a dívida caiu para 89,7% do PIB, prolongando uma descida acentuada face aos 111,2% registados em 2022. Em apenas três anos, o país reduziu o peso da dívida em mais de 20 pontos percentuais.

Ainda assim, o nível absoluto da dívida subiu ligeiramente para 275.063 milhões de euros, refletindo o aumento do financiamento necessário e o contexto macroeconómico. A redução do rácio deve-se sobretudo ao crescimento do PIB, que tem permitido diluir o peso do endividamento.
Apesar da melhoria, Portugal continua acima do limiar de 60% definido pelas regras europeias, permanecendo no grupo de países com dívida elevada.
O posicionamento de Portugal ganha relevância num contexto europeu marcado por desequilíbrios. Em 2025, o défice médio da União Europeia (UE) manteve-se em 3,1% do PIB, enquanto a zona Euro registou 2,9%, ambos acima ou próximos do limite de referência.
Além disso, 11 Estados-membros apresentaram défices iguais ou superiores a 3%, com destaque para a Roménia (-7,9%), Polónia (-7,3%), Bélgica (-5,2%) e França (-5,1%), evidenciando dificuldades persistentes na consolidação orçamental.
Em paralelo, a dívida pública voltou a aumentar no conjunto europeu. De acordo com o Eurostat, “o rácio da dívida pública subiu para 87,8% do PIB na zona euro e para 81,7% na UE em 2025”, sinalizando pressões contínuas sobre as finanças públicas.
Apesar do desempenho positivo, os dados sugerem que a posição orçamental portuguesa continua dependente de fatores como o crescimento económico e o controlo da despesa. A margem entre receita e despesa permanece reduzida, tornando o excedente sensível a choques externos.
Ainda assim, Portugal afirma-se como um dos casos mais consistentes de consolidação orçamental na União Europeia recente, integrando o top 5 dos países com excedente num cenário europeu dominado por défices e aumento da dívida.
(Notícia atualizada às 11h03)
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