Novo recado do governador. Santos Pereira alerta para a subida do endividamento das famílias
Após anos de queda, o nível de endividamento das famílias voltou a subir em 2025 à boleia do crédito à habitação, criando um ponto de fricção na economia, alerta o governador do Banco de Portugal.
Num momento em que o Governo decide injetar mais 750 milhões de euros na garantia pública para jovens comprarem casa a 100% de financiamento, elevando o envelope total para 2.300 milhões de euros, o governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, lança um sinal de alerta: após anos a reduzir a dívida, as famílias portuguesas voltaram a endividar-se e o crédito à habitação é o principal responsável.
Nas redes sociais X e LinkedIn, o governador destacou o que considera ser um dos desenvolvimentos mais significativos da economia nacional na última década. “Um dos desenvolvimentos mais notáveis e importantes da economia portuguesa nos últimos anos tem sido a redução significativa do endividamento nacional”, sublinhando que essa tendência “tem sido transversal a todos os agentes económicos: famílias, empresas e Estado.”
Os dados de 2025 confirmam que o esforço tem sido feito particularmente pelo setor público e empresarial, com a dívida pública a descer para 89,7% do PIB e a dívida das empresas não financeiras a recuar para 45,3% do PIB. Já as famílias ficaram de fora desta tendência positiva. “Em 2025, a dívida das famílias em percentagem do PIB subiu de 54,9% do PIB em 2024 para 56,1% do PIB em 2025”, alertou Álvaro Santos Pereira.
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Medida em proporção do rendimento disponível, a situação é igualmente preocupante: “A dívida dos particulares em percentagem do rendimento disponível aumentou para 80,4% no terceiro trimestre” do ano passado, revertendo uma trajetória de desalavancagem que vinha a ser registada nos anos anteriores, salienta o governador do Banco de Portugal, sublinhando que isso acontece “devido principalmente ao aumento do crédito à habitação.”
Segundo Álvaro Santos Pereira, “impulsionadas pela subida dos preços das casas e pelo forte crescimento do crédito à habitação, as famílias voltaram a aumentar o seu endividamento, invertendo uma tendência de decréscimo dos anos recentes”.
A descida do endividamento é essencial, não só porque reduz a nossa exposição a eventuais choques (externos ou internos), como também nos dá maior margem para investir ou consumir.
Esta realidade cruza-se com os dados já divulgados pelo próprio Banco de Portugal em março, que mostram que a proporção de novos créditos à habitação concedidos a mutuários de risco elevado saltou de 3%,em 2024, para 21%, em 2025 – um agravamento quase inteiramente explicado pelos empréstimos ao abrigo da garantia pública do Estado.
Assim, enquanto o Governo acelera o acesso ao crédito para jovens, alavancando ainda mais o risco de crédito no mercado, o supervisor que Álvaro Santos Pereira lidera trava os excessos.
Para o governador, a razão pela qual o desendividamento das famílias importa é clara: “A descida do endividamento é essencial, não só porque reduz a nossa exposição a eventuais choques (externos ou internos), como também nos dá maior margem para investir ou consumir.”
O aviso chegou nas redes sociais, mas o destinatário é o mesmo que, na véspera, anunciava mais 750 milhões de euros para alimentar o mercado.
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