Céu à vista: maior torre de apartamentos do país vai nascer em Gaia
Haya Towers vão ser apresentadas no Salão de Imobiliário, na FIL, em Lisboa, na tarde desta quinta-feira. São mais de 100 metros de altura com vista para o Porto, à beira da nova linha do metro.

A futura estação Rotunda na nova linha rubi do metro do Porto vai ter dois “arranha-céus” a marcarem a linha de horizonte a partir de 2028, numa iniciativa anunciada pelo promotor imobiliário Krest. O projeto surgirá no SIL, Salão Imobiliário de Portugal, que nesta quinta-feira abre as portas na FIL, em Lisboa.
A escolha deste investimento pela Krest, que se uniu à Glowing Merit para, em parceria, porem o projeto em andamento, não se deu por acaso. A existência da nova linha do metropolitano e a estação sobranceira determinaram o avanço para esta aquisição há um ano, assegura, ao ECO/Local Online, Claude Kandiyoti, CEO da empresa.
Com os últimos detalhes a serem afinados, as vendas começarão em junho, a comunicação prévia à autarquia ocorrerá depois e as obras arrancam no espaço de um ano, calendariza.
Em Gaia, particularmente, há tendência do município de construir em altura, ter mais pessoas e menos densificação, menos edifícios, mas mais altos. Não acho que seja uma tendência nova. Nunca haverá edifícios de 50 metros em Portugal. Isto é o mais alto que poderemos construir.
“Estamos em frente à estação do metro e com acesso direto ao Porto. Foi por isso que adquirimos”. Sem este acesso à nova linha “não teria comprado. Comprei devido à estação de metro”, assegura o empresário belga, membro de uma família ligada à indústria têxtil em Paços de Ferreira.
“A Krest é dinheiro de família, é o nosso próprio dinheiro, não aceitamos dinheiro de investidores”, assegura.

Salto em altura
A “competição” por a torre habitacional mais alta do país teve, em 2022, um outro candidato ao título, o projeto Skyline, com 100 metros e 28 pisos, igualmente localizado em Gaia e orçamentado em 150 milhões de euros.
Este projeto acabou por entrar num rumo polémico, com envolvimento na Operação Babel, que investiga alegadas ilegalidades na gestão urbanística dentro da autarquia, à data governada por Eduardo Vítor Rodrigues. Já com Luís Filipe Menezes como presidente foi anunciada pela câmara uma auditoria ao Skyline.
Nas Haya Towers – nome que junta a fonética de alto, em inglês, “high” e Gaia –, as duas torres terão 31 e 30 pisos, com 107 metros acima do solo no ponto mais alto. Dois portões permitirão convertê-las num condomínio privado.
“Em Gaia, particularmente, há tendência do município de construir em altura, ter mais pessoas e menos densificação, menos edifícios, mas mais altos. Não acho que seja uma tendência nova. Nunca haverá edifícios de 50 pisos em Portugal. Isto é o mais alto que poderemos construir”, considera.
Para este investimento de 150 milhões de euros, Claude Kandiyoti avança numa parceria com a Glowing Merit, que já tinha anteriormente trazido este investimento a público, sob o nome Torres de Gaia.

Com 30 apartamentos de tipologia T0, entre 33 e 72 metros quadrados, 136 T1 entre 52 e 62 m2, 117 T2 de 78 a 93 m2, 66 T3 com áreas de 119 e 138 metros quadrados, uma dezena de T4 entre 188 e 228 m2 e dois T5 com 258 metros quadrados, as torres terão um total de 361 apartamentos.
Os preços rondarão os 5.000 a 6.000 euros por metro quadrado, valores que o promotor considera “acessíveis, mas no topo dos preços em Gaia”, premissa que coloca um T0 num patamar de 200 mil euros e empurra os T4 e T5 para mais de um milhão de euros.
Dedicado ao imobiliário desde 2011 e chegado a Portugal em 2013, Claude Kandiyoti junta este projeto com 40 mil metros quadrados aos que a Krest vem desenvolvendo no país.
Estamos à espera de ver o que acontece na legislação. Se a câmara ficar como inquilina, estamos prontos para trabalhar com o município. O mercado é português e há um problema estrutural na habitação em Portugal. Eu quero estar lá. A Krest é hoje uma empresa portuguesa, temos cerca de 30 funcionários e eu sou o único estrangeiro.
Com um olhar atento ao que se vai verificar na margem sul do Tejo com a chegada do novo Aeroporto Luís de Camões e as infraestruturas em seu torno, a Krest tem 350 fogos em execução, designadamente em Campanhã, no Porto, Marvila (Lisboa), Paço de Arcos e Miraflores (concelho de Oeiras), e ainda em Alvor, Portimão.
No Algarve, que o empresário considera “um outro país”, a empresa detém terrenos em Quarteira e Vilamoura para futuros projetos, detalha. Na Krest, 80% dos clientes são portugueses, mas Claude Kandiyoti não consegue ainda antever qual o cenário nas Haya Towers.
“A verdadeira mudança que se vê no mercado é que hoje se tem investidores portugueses a vir para o mercado. Há investidores a comprar para arrendar e manter o apartamento. Muitos portugueses não querem pôr o dinheiro nos bancos e o único sítio seguro que encontram é colocá-los em tijolos, habitação”.
Entre as novidades no negócio está o trilhar de um caminho em que a construção se abra ao mercado público. “Estamos agora a estudar programas com autarquias para arrendamento”. Porto, Lisboa, Cascais e Oeiras são parte dessa estratégia de “build to rent”, com a Krest a encarregar-se da construção em terreno próprio e os municípios a assumir a posição de inquilinos, ficando depois encarregues do arrendamento à população, uma forma de levar segurança ao investidor.
“Estamos à espera de ver o que acontece na legislação. Se a câmara ficar como inquilina, estamos prontos para trabalhar com o município. O mercado é português e há um problema estrutural na habitação em Portugal. Eu quero estar lá. A Krest é hoje uma empresa portuguesa, temos cerca de 30 funcionários e eu sou o único estrangeiro”, assegura.

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