Lealdade e pertença determinam retenção de talento nas empresas, revela estudo do IPAM e Lionesa

Estudo do IPAM sobre felicidade no trabalho revela que 83% da perceção de valor das organizações resulta do seu comportamento: a forma como lideram, comunicam e se relacionam com os trabalhadores.

Um estudo desenvolvido pelo Instituto Português de Administração de Marketing (IPAM), em parceria com o Happiness Camp e o Lionesa Business Hub, concluiu que 19,6% da felicidade dos trabalhadores é explicada pela forma como vivenciam o contexto laboral e como se sentem valorizados. Revela igualmente que não é apenas o contrato de trabalho que retém o talento, mas que, cada vez mais, pesa também o sentimento de lealdade e pertença por parte dos trabalhadores.

Os investigadores partiram de uma amostra com 461 respostas válidas, incluindo 409 profissionais no ativo, para a realização do estudo “Humanização e Felicidade no Trabalho” assente numa abordagem qualitativa e quantitativa. Contempla maioritariamente trabalhadores do setor privado (76,3%), com elevado nível de qualificação (88,5% finalizaram o Ensino Superior) e presença significativa em grandes organizações.

Com este estudo os investigadores quiseram “compreender se a forma como as organizações atuam — como lideram, cuidam, comunicam e quão humanas são — tem impacto mensurável na felicidade dos seus colaboradores”. Colocaram ainda a tónica numa questão essencial: se a felicidade no trabalho é apenas uma condição individual ou se é influenciada estruturalmente pelo comportamento organizacional.

Entre as variáveis analisadas, a psicologia positiva organizacional surge como o fator mais influente, com destaque para o papel da liderança, do bem-estar, da segurança psicológica no trabalho. “A humanização organizacional — associada a valores como ética, empatia e coerência — gera também um impacto relevante, “reforçando a importância de culturas organizacionais autênticas”, indica o estudo.

Revela igualmente que 83% da perceção de valor das organizações resulta do seu comportamento e não da comunicação, ou seja, da forma como lideram, comunicam e se relacionam com as pessoas; o que se pode espelhar na felicidade no trabalho.

Os investigadores concluíram ainda que os trabalhadores não veem as organizações apenas como estruturas, mas como entidades com características humanas. “Na componente qualitativa, 100% dos participantes descreveram as suas organizações utilizando traços como “empática”, «transparente» ou, em sentido oposto, «fria» e «distante»”.

Outro dado relevante é o papel da ligação emocional no engagement de longo prazo. “Fatores como orgulho, lealdade e sentido de pertença surgem como determinantes para a permanência nas organizações, sugerindo que a relação entre colaboradores e empresas vai além do vínculo contratual“.

O estudo também encontrou divergências na forma como a felicidade é vivida no trabalho: os trabalhadores com maior autonomia — tipicamente em funções de liderança ou com mais experiência — reportam níveis mais elevados de felicidade, perceção de valor e humanização organizacional.

Este estudo serve de base para a conferência Hapiness Camp que acontece a 24 de setembro, no Porto, reunindo empresários, académicos e especialistas de dezenas de países, entre os quais Portugal, Espanha, Reino Unido, Estados Unidos e Brasil. Deste encontro, que também inclui masterclasses, devem sair recomendações estratégicas para organizações e decisores.

“De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a depressão e a ansiedade custam à economia mundial mais de 1 bilião de dólares por ano em perda de produtividade. Já o burnout, reconhecido como fenómeno ocupacional, afeta uma fatia crescente da força de trabalho, com vários estudos a indicar que mais de um em cada três profissionais apresenta sintomas de exaustão extrema”, refere ao ECO/Local Online António Pedro Pinto, fundador e CEO do Happiness Camp, cujas inscrições para participar já arrancaram.

Portugal não é exceção. “O cenário acompanha a tendência internacional: níveis elevados de stress, dificuldade na retenção de talento e uma crescente pressão sobre líderes para repensar modelos de trabalho”, conclui.

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