“Não é uma questão política. É uma questão sindical”. Ex-líder da UGT contra acordo na reforma laboral

Carlos Silva avisa que, em 2012, UGT perdeu milhares de filiados por ter assinado acordo de revisão da lei do trabalho. "Não queremos que se repita em 2026", nota o ex-secretário-geral.

No dia em que o secretariado nacional da UGT decide se essa central sindical alinha ou não num acordo em torno da reforma da lei do trabalho, Carlos Silva, ex-secretário-geral, volta a defender que não estão reunidas as condições para esse entendimento e atira que “está na hora” de a negociação chegar ao fim, visto que, após nove meses de negociações, várias das matérias críticas continuam por consensualizar.

Não é uma questão política. É uma questão sindical. As questões sindicais têm que ver com os direitos de quem trabalha. Houve décadas anteriores que levaram a que, neste momento, a legislação laboral tenha um conjunto de defesas para os trabalhadores portugueses. Não queremos, nem defendemos um retrocesso, nomeadamente com a reintrodução do banco de horas individual, que no meu tempo foi abandonado, porque mascarava o pagamento do trabalho suplementar“, frisa o ex-líder da UGT, em declarações à RTP Notícias.

Na visão de Carlos Silva, a intenção de reintroduzir o banco de horas por acordo direto entre o trabalhador e o empregador é “para fazer um jeito a alguém”, que não certamente os trabalhadores.

Esta é das matérias onde, apesar das aproximações, não foi possível chegar a um consenso. A UGT ainda admitiu aceitar o regresso desse regime, mas tornando a negociação coletiva um pano de fundo obrigatório, introduzindo custos extra e excecionando os trabalhadores com filhos mais pequenas, reivindicações que o Governo e as confederações empresariais não acolheram.

Em declarações à RTP Notícias, Carlos Silva sublinhou ainda que a UGT sempre foi um parceiro de negociação e diálogo, mas notou que está na hora de chegar ao fim desta negociação. “Nove meses é tempo demasiado para um processo negocial em relação à legislação laboral. Se o Governo não teve a condição, a qualidade, a vontade política de vir ao encontro das propostas da UGT, então resolva o problema e leve ao Parlamento“, avisou o ex-secretário-geral.

Por outro lado, o sindicalista salientou que, quando a UGT assinou em janeiro de 2012 o acordo de revisão laboral, num momento difícil do país, sofreu com a “debandada de milhares de filiados dos seus vários sindicatos“. “Lembramo-nos muito bem do que aconteceu em 2012. Não queremos que se repita em 2026, sobretudo quando as circunstâncias externas [são diferentes]”, rematou Carlos Silva.

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