Ordem dos Contabilistas lucra 727 mil euros até março, mas admite “algumas preocupações” com aumento de preços

Bastonária Paula Franco garante que instituição "mantém estabilidade", mas admite "algumas preocupações" com aumento dos preços devido à guerra do Médio Oriente.

A Ordem dos Contabilistas Certificados (OCC) lucrou 776.548 euros no primeiro trimestre deste ano, o que representa um aumento significativo em relação aos 49.500 euros registados entre janeiro e março de 2025. No entanto, a situação financeira “estável” da instituição não evita “algumas preocupações” da bastonária com a subida dos preços devido à guerra do Médio Oriente.

“A Ordem mantém a sua estabilidade, ainda que todos nós estejamos preocupados com o aumento dos preços. Este ano é um ano de congresso, portanto dos grandes desafios que temos do ponto de vista financeiro, são situações que nos levantam algumas preocupações”, afirmou Paula Franco, na reunião desta quarta-feira com os profissionais da contabilidade.

A OCC admite cortes nos custos para manter as contas no verde. “Vamos tentar efetivamente controlar tudo isto recorrendo a poucos ajustamentos, não queremos entrar por ajustamentos grandes. Vamos estar muito atentos às nossas contas”, garantiu Paula Franco.

No relatório intercalar do primeiro trimestre (balanços e demonstrações não auditadas) é possível verificar que o rácio de liquidez geral da Ordem fixa-se nos 0,95. O valor – que indica a capacidade das organizações para cumprirem os seus compromissos a curto prazo (12 meses) – não era tão baixo desde 2018. Geralmente, um bom rácio é superior a 1, como aconteceu nos primeiros três meses de 2025 (1,12).

Melhores notícias em termos de endividamento, cuja trajetória se mantém descendente. No período compreendido entre 1 de janeiro e 31 de março de 2026, os financiamentos obtidos foram amortizados em 91.497 euros, ou seja, em 3% face ao valor que tinha no final do ano. No fim do último trimestre, o valor do endividamento era de 2,94 milhões de euros.

Por outro lado, aumentou o encaixe financeiro com as quotas. Entre janeiro e março, a OCC recebeu 3.863.692 euros dos seus membros, mais 16,8% do que o valor recebido no primeiro trimestre do ano passado. A previsão é que o valor arrecadado em quotas cresça 636.996 euros (ou 5,4%) em 2026. Assim, as dívidas dos membros diminuíram 5,8% comparativamente a 31 de dezembro de 2025 para 1,96 milhões de euros.

Apesar dos ajustes, formações gratuitas mantêm-se

Desde 1 de janeiro de 2023, todos os modelos formativos online existentes na OCC (CCclix, e-learning, plug-in, Reuniões Livres e Descomplicar na Hora), tornaram-se gratuitos para todos os contabilistas certificados com inscrição ativa na Ordem. No período de 1 de janeiro a 31 de março registaram-se 35.087 inscrições na formação online que representa um valor de 1.122.784 euros.

“As medidas de apoio aos membros acarretaram um elevado esforço financeiro para a Ordem. Contudo, através de uma gestão criteriosa, de uma rigorosa definição de prioridades e gestão eficiente, é possível a implementação e manutenção das mesmas”, lê-se no documento. O plano formativo até será reforçado com um curso sobre as medidas fiscais do pacote de habitação aprovado no Parlamento.

Em relação aos atendimentos do departamento de consultoria técnica, a Ordem está a dar significativamente mais respostas, apesar de ainda não ter robôs. O investimento na inteligência artificial prossegue, mas as chamadas são o método preferencial de contacto. No primeiro trimestre, registaram-se 411 atendimentos presenciais, o que representa um aumento de 26,1% face ao período homólogo, quase 12 mil (11.116) atendimentos telefónicos (+1,1%). Já na vertente escrita foram respondidas 7.317 questões, mais 208 (ou +2,9%) do que no mesmo período do ano anterior.

“Na sequência do reforço da equipa de consultores e com vista à contínua melhoria dos serviços prestados aos membros, a Ordem prossegue o desenvolvimento de ferramentas de IA, destinadas a apoiar consultores e contabilistas certificados no acesso a respostas técnicas, assentes exclusivamente nos dados e informação da OCC”, recorda.

No que diz respeito a participações disciplinares, contabilizaram-se 129 participações, menos 18,9% do que as 159 registadas em igual período de 2025. A redução refletiu-se também nas diferentes fases do processo disciplinar, com 107 participações analisadas (-21,3%) e o mesmo número remetido ao conselho jurisdicional.

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