Portal da Queixa registou mais 21% de reclamações em seguros
Reclamações no Portal da Queixa aumentaram, mas o fundador da plataforma explica que, na base do problema, está a dificuldade em responder a um consumidor digital com tecnologia obsoleta.
O mais recente Barómetro do Setor dos Seguros em Portugal, realizado pela Consumers Trust/ Portal da Queixa, revela um aumento significativo das reclamações no setor, com 4.302 queixas registadas em 2025 (+3,86%) e uma aceleração no início de 2026, onde o primeiro trimestre soma 1.382 reclamações, refletindo um crescimento homólogo de 21,44%. As companhias de seguros concentraram o maior volume de ocorrências registadas no Portal da Queixa.

Reclamações efetuadas contra seguradoras significaram 44,28% do total do setor no primeiro trimestre de 2026, seguidas pelos Planos de Saúde (que não são seguros) e Seguros de Saúde, que continuam “a refletir a sensibilidade das famílias face aos custos e coberturas. Em termos globais, mais de metade das reclamações concentra-se nestas três áreas, refletindo a crescente complexidade das disputas contratuais e financeiras”, diz o promotor do estudo. Reclamações contra mediadores de seguros não ultrapassaram 3,5% do total.
Entre as marcas mais reclamadas no período analisado, que já inclui um mês de consequências do comboio de tempestades iniciado com o Kristin, destacaram-se as maiores seguradoras do país como a Generali Tranquilidade, Fidelidade e Ageas Seguros. Ao contrário do estudo de reclamações da ASF, entidade supervisora do setor, este barómetro não considera o número de apólices geridas por cada companhia e, assim, é maior em termos absolutos, de as reclamações serem mais numerosas nas companhias com maior número de clientes.
Esta desproporcionalidade também se nota no número de reclamações em Seguros de Saúde com Médis, AdvanceCare e Victoria, na Assistência a Produtos e com a Domestic & General -que trabalha com a Worten-, com seguro automóvel direto em que as mais citadas são a Seguro Directo, LOGO e ok! seguros, com a proteção de pagamentos e a Cardif, a Chubb e MetLife e até nas reclamações às empresas de peritagem com a UON, Realperitos e Van Ameyde.
Clivagem entre expectativas digitais dos consumidores e a realidade operacional dos sistemas
O barómetro conclui que o setor enfrenta uma “fissura operacional” resultante da dificuldade em responder a um consumidor digital com sistemas tecnológicos obsoletos. Neste contexto, “a reputação digital emerge como um verdadeiro regulador de mercado e um ativo estratégico determinante”, diz o estudo.
Segundo Pedro Lourenço, Fundador do Portal da Queixa by Consumers Trust: “O aumento de 21% no número de reclamações no primeiro trimestre de 2026 sinaliza que a clivagem entre as expectativas digitais dos consumidores e a realidade operacional dos sistemas legados atingiu um nível crítico.
Para o fundador do Portal da Queixa, “o setor dos Seguros em Portugal encontra-se num momento decisivo, onde a sustentabilidade futura dependerá não apenas da solidez financeira, mas da capacidade de adaptação tecnológica e da gestão eficaz da reputação junto dos consumidores. A transformação digital, aliada à confiança e à transparência, será determinante para garantir a resiliência e a competitividade das seguradoras no horizonte 2026-2030″, conclui Pedro Lourenço.
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