“Portugal já está a participar na construção do [caça] Gripen”, avança a Saab

Critical Software, Thyssenkrupp em Portugal, Kristaltek e a Vangest já estão a colaborar com a empresa sueca para os caças militares.

“Portugal já está a participar na construção do Gripen” através do fornecimento de componentes, adianta Daniel Boestad, vice-presidente da unidade de negócio dos caças Gripen da Saab, num encontro com jornalistas portugueses em Linköping, na Suécia. Critical Software, Thyssenkrupp em Portugal, Kristaltek e a Vangest já estão a colaborar com a empresa sueca para os caças militares.

A fabricante sueca é um das empresas que se está a posicionar para a venda de caças a Portugal, para renovar a atual frota de F-16 em fim de vida, e admitia incluir fornecedores nacionais na sua cadeia de fornecimento, tendo fechado memorandos de entendimento com a Critical Software, com a OGMA, bem como a idD Portugal Defence — entidade que agrega as participações do Estado português nas empresas de defesa nacionais — e com a AED Cluster, associação que reúne empresas do setor de defesa e aeroespacial.

Com a tecnológica nacional, a Saab já está a trabalhar num simulador para treinar os pilotos do Gripen. “A Critical Software é uma love story entre os engenheiros” da Gripen, comentava o gestor, admitindo que poderão estender essa colaboração a outros projetos na área de software.

Mas não só. Com a OGMA, a companhia admite a possibilidade de, a partir de Portugal, a empresa fazer sub-assemblagem dos Gripen, ou seja, parte da fuselagem, mas, se Portugal fechar negócio com a compra de caças, admitem a possibilidade e avançar com colaborações mais aprofundadas tanto na área de manutenção e reparação (MRO) ou assemblagem final. Esse é um modelo já executado no Brasil, em que a Saab tem uma parceria com a Embraer (que controla em 65% a OGMA), depois da Força Aérea brasileira ter adquirido Gripen para a sua frota.

O Thyssenkrupp em Portugal, a Vangest — grupo da Marinha Grande que atua em soluções de plástico para vários setores incluindo o aeroespacial — e a Kristaltek — fornecedor de serviços de mecânica de precisão, metalomecânica, metalurgia — são as três outras empresas com as quais a Saab já está a trabalhar para o Gripen ou prestes a fechar contrato.

“Portugal tem um grande potencial. Não tem uma grande indústria de defesa, mas a que tem é brilhante”, disse. Ao ECO/eRadar Daniel Boestad admite que a Saab ainda está a analisar mais empresas no mercado português, embora sem adiantar mais detalhes.

*A jornalista viajou à Suécia a convite da SAAB

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