Preço “será essencial” para escolher comprador da TAP. Propostas industriais de Air France e Lufthansa são “equivalentes”
O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, disse, no briefing do Conselho de Ministros, que as propostas da Air France-KLM e Lufthansa são "muito equivalentes".
- O preço será o principal critério para decidir entre as propostas da Air France-KLM e da Lufthansa na privatização da TAP, face à apresentação de propostas equivalentes.
- A Air France-KLM já veio reiterar o "forte e contínuo interesse" na companhia aérea portuguesa.
- O processo de privatização da TAP deverá ser concluído apenas em 2027, dependendo das autorizações regulatórias e das propostas finais dos concorrentes.
O preço deverá ser o critério de desempate para escolher o vencedor da privatização da TAP, já que a Air France-KLM e a Lufthansa apresentaram projetos industrias “muito equivalentes”.
A Air France-KLM e a Lufthansa apresentaram “planos industriais muito ambiciosos e muito equivalentes”, afirmou o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, durante o briefing do Conselho de Ministros que aprovou o convite formal aos dois grupos para submeterem propostas vinculativas pela TAP.
Face à proximidade das duas propostas, o governante sublinhou que o “critério da valorização financeira será essencial” para a seleção do comprador de 44,5% da TAP, percentagem que poderá subir se os trabalhadores não adquirirem a totalidade dos 5% que lhes estão reservados. O preço oferecido na fase não-vinculativa não foi revelado por “questões de confidencialidade”. O ministro referiu, no entanto, que “estão muito equivalentes”.
Miguel Pinto Luz reconheceu que os efeitos negativos que a guerra no Médio Oriente estão a ter no setor “podem ter impacto” no valor da TAP. O conflito “impacta os valores dos combustíveis numa indústria em que o jet fuel representa uma percentagem elevada dos custos”.
O ministro das Finanças, também presente no briefing, considerou, ainda assim, que “ambos os concorrentes olham para a TAP numa perspetiva de médio e longo prazo” e que, neste horizonte, “o valor estratégico” da companhia portuguesa não é afetado. Miranda Sarmento considerou que a apresentação das duas propostas “mostra bem a atratividade da empresa e do país”.
O preço oferecido na fase não-vinculativa não foi revelado por “questões de confidencialidade”. O ministro referiu, no entanto, que “estão muito equivalentes”.
A Air France-KLM e a Lufthansa foram as únicas a apresentarem propostas não-vinculativas para a aquisição de 44,9% da TAP (a que se somam 5% para os trabalhadores) até ao prazo limite de 2 de abril. O grupo IAG decidiu ficar fora da corrida.
A Parpública entregou ao Governo no dia 22 o relatório com a avaliação das propostas recebidas. O ministro das Infraestruturas salientou que ambas “cumprem o caderno de encargos” e evidenciam um “total alinhamento com os critérios de seleção”.
Pinto Luz referiu que quer a Lufthansa quer a Air France-KLM asseguram a conectividade às regiões autónomas, aos países de língua portuguesa e à diáspora, assim como um papel relevante do hub de Lisboa no contexto europeu e a expansão da operação no Porto, bem como a possível integração em consórcios do Atlântico Norte.
Contemplam também o crescimento dos serviços de manutenção e engenharia realizados a partir de Portugal, para clientes internos e terceiros, e o investimento na frota para suportar o crescimento da TAP. O que o incluiu o acesso a opções de frota no âmbito dos respetivos grupos com sinergias de aquisição. Referem ainda, conforme previa o caderno de encargos, o acesso a parcerias globais e apoio a iniciativas nacionais de produção de SAF (combustíveis de aviação sustentáveis).
Horas depois da conferência de imprensa, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, considerou “muito positivo” existirem “dois interessados que vão agora transitar para fazer as diligências para poder apresentar uma proposta final”.
“Aquilo que já foi objeto das suas propostas não vinculativas abre a esperança que possamos vir a ter boas propostas”, afirmou o chefe de Governo em declarações aos jornalistas à chegada para o Conselho Europeu informal, no Chipre.
Air France – KLM e Lufthansa vão avançar com propostas vinculativas
O grupo franco-neerlandês já reagiu ao anúncio feito no Conselho de Ministros. “A Air France-KLM congratula-se com o anúncio da Parpública e agradece ao Governo português o convite para participar na próxima fase do processo de privatização da TAP”, refere em comunicado.
“A TAP encaixa totalmente na estratégia multi-hub da Air France-KLM, e o nosso objetivo é reforçar as operações em Lisboa, ao mesmo tempo que desenvolvemos a conectividade noutras cidades do país, incluindo o Porto”, afirma o CEO do grupo, Benjamin Smith, citado na nota.
A Air France-KLM reitera “o seu forte e contínuo interesse na TAP” e que “pretende fazer de Lisboa o seu hub único no Sul da Europa e integrar a TAP seguindo a abordagem única do Grupo face à consolidação, que privilegia a cooperação dentro de um enquadramento claro”.
A Lufthansa também reagiu durante a tarde, acolhendo “com satisfação a declaração dos dois Ministros de que será convidada a participar na próxima fase do processo”. “Aguardamos com expectativa o aprofundamento do nosso envolvimento no processo de privatização, com vista à apresentação de uma proposta vinculativa em julho, e estamos confiantes na nossa capacidade de apresentar uma oferta sólida, atrativa e competitiva para Portugal”.
Tal como o grupo franco-neerlandês, a Lufthansa “reitera o seu forte interesse na TAP Air Portugal, que considera uma companhia com elevado valor estratégico no panorama da aviação europeia. A posição geográfica da TAP, a força da sua marca e a sua presença em mercados-chave de crescimento conferem a Lisboa um papel relevante nas considerações estratégicas do Grupo”. Diz ainda que “identifica oportunidades para reforçar a conectividade, expandir rotas estratégicas e apoiar o crescimento sustentável de longo prazo da TAP, criando valor para a empresa, para Portugal e para todos os stakeholders“.
De acordo com o caderno de encargos, após receberem o convite, os dois grupos dispõem de 90 dias para fazerem chegar à Parpública a proposta vinculativa, ou seja, até 22 de julho. Nesta fase, poderão ter acesso a informação mais detalhada sobre a companhia aérea no âmbito do processo de due diligence. Ao contrário da fase anterior, nesta já assumirão o compromisso em relação à oferta financeira que vier a ser feita.
Após a entrega das propostas vinculativas, segue-se um novo relatório da Parpública, que dispõe novamente de 30 dias para o entregar. O Governo tem, depois, duas opções: ou seleciona o vencedor ou determina a realização de uma etapa de negociações com um ou mais proponentes, “com vista à apresentação de propostas vinculativas melhoradas e finais”.
Seguindo estes prazos, o processo só estará concluído lá para final do verão, na melhor hipótese. Juntando as autorizações regulatórias, nomeadamente de Bruxelas, a venda dos 49,9% da TAP só ficará fechada lá para 2027.
(Notícia atualizada às 17h55 com declaração do primeiro-ministro)
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