Reabilitação oncológica dá retorno de 26 para 1 a seguradoras

  • ECO Seguros
  • 23 Abril 2026

Estudo da Swiss Re junto de seguradoras vida australianas conclui que por cada dólar investido em reabilitação oncológica as companhias poupam 26 dólares. Resultados surpreenderam pela dimensão.

Por cada dólar investido em reabilitação oncológica no setor de seguros de vida na Austrália, as seguradoras obtêm um retorno de quase 26 dólares revela estudo Rehabilitation Watch 2025 coordenado pela resseguradora Swiss Re, surpreendendo por ser um dos indicadores mais fortes até à data do impacto financeiro positivo de programas estruturados de recuperação.

O relatório analisou 2.348 clientes de 12 seguradoras, incluindo as sete maiores do mercado australiano. Os doentes oncológicos registaram a taxa mais elevada de regresso ao trabalho entre todas as condições estudadas, atingindo 71%. No entanto, 91% dessa amostra teve origem numa única entidade, a empresa digital de saúde Osara Health.

Segundo o jornal ReinsuranceBusiness, o mercado de seguros de vida australiano está avaliado em 24,2 mil milhões de dólares pela IBISWorld, mas tem vindo a reduzir-se a um ritmo médio anual de 0,8% nos últimos cinco anos. Em paralelo, a saúde mental tornou-se o principal fator de pressão nos custos: segundo o Council of Australian Life Insurers, os pagamentos de sinistros relacionados com saúde mental atingiram 2,2 mil milhões de dólares em 2024 — quase o dobro face a cinco anos antes.

Daí os resultados ligados ao cancro ganharem relevância. O relatório, descrito como o primeiro a agregar dados de reabilitação à escala do setor na Austrália, foi analisado e publicado de forma independente pela Swiss Re, ainda que com forte peso dos dados da Osara Health.

Em declarações ao ReinsuranceBusiness, Raghav Murali Ganesh, CEO da empresa e oncologista, referiu que o estudo quantifica uma lacuna há muito reconhecida: a distância entre o tratamento clínico e a recuperação total dos doentes. “Durante anos, o setor sabia que existia este hiato. Agora sabemos quanto vale colmatá-lo: um retorno de 26 para 1”, sublinha.

O timing da intervenção surge como fator crítico. Doentes encaminhados para reabilitação nas primeiras seis semanas registaram uma taxa de regresso ao trabalho de 79%, mas o tempo médio de encaminhamento foi de 42 semanas. A diferença sugere margem significativa para melhorar resultados — e reduzir custos — através de uma atuação mais precoce por parte das seguradoras.

Segundo Ganesh, a validação independente da Swiss Re confirma que o apoio estruturado a doentes oncológicos é uma das intervenções com maior retorno no universo da reabilitação em seguros.

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