Saab quer vender caças Gripen à Força Aérea e mísseis à Marinha Portuguesa

A empresa sueca está a propor à Marinha Portuguesa os mísseis RBS15, para instalação nas atuais e futuras fragatas, revelou a Saab.

A sueca Saab não só quer vender caças Gripen à Força Aérea, como mísseis à Marinha Portuguesa. “A Saab também está a oferecer os [mísseis] RBS15 à Marinha Portuguesa para a sua instalação nas fragatas classe Vasco da Gama e também nas futuras fragatas”, revelou John Belanger, director bussiness management Saab Dynamics, missile systems, num encontro com jornalistas portugueses em Linköping, na Suécia.

Produzido em colaboração com a alemã Diehl Defence, este sistema de mísseis, que também pode ser instalada nos caças Gripen, é uma multiplataforma, com capacidades de ser lançado a partir do ar, terra e mar; tem um alcance de mais de 300 quilómetros; é capaz de operar em quaisquer condições meteorológicas; estando cada míssil carregado com 200 quilos de material explosivo, descreve o responsável.

Belanger descreve o RBS15 como um “míssil inteligente”, já que manobra e desvia-se dos obstáculos que surgem no seu percurso até atingir o seu alvo. Este sistema de mísseis, diz, está a ser “operado por vários países NATO”. Suécia, Alemanha, Croácia, Bulgária e Tailândia são já clientes.

DR: Saab

“A maioria das componentes são fornecidas pela Europa e a sua montagem é feita na Europa”, reforça o gestor, num momento em que a mensagem no Velho Continente é para a realização de compras de equipamento militar produzido na região.

É este sistema de mísseis que a empresa sueca está a propor à Marinha Portuguesa a sua aquisição para instalação nas fragatas Vasco da Gama, já em operação, bem como nas futuras fragatas que Portugal vai adquirir através do programa de empréstimo europeu SAFE, do qual o país garantiu uma fatia de 5,8 mil milhões de euros.

Portugal já participa na construção dos caças Gripen

Na frente dos caças, a companhia sueca está igualmente a posicionar-se como potencial fornecedor dos substitutos dos atuais F-16 em fim de vida da Força Aérea Portuguesa. O processo dos caças ainda não arrancou, mas neste processo a empresa enfrenta a concorrência de outros operadores como a Lockheed Martin — fabricante dos F-35 — ou o consórcio Eurofighter.

O fecho de memorandos de entendimento (MoU) com empresas nacionais para a sua possível integração na cadeia de fornecimento destes equipamentos tem sido uma estratégia anunciada pelas várias empresas a concorrer por este negócio com a Força Aérea. A Saab já tinha anunciado um MoU, por exemplo, com a OGMA e com a Critical Software, mas esta quinta-feira a empresa revelou que já há parceiros portugueses a participar na construção dos Gripen.

“Portugal já está a participar na construção do Gripen” através do fornecimento de componentes, adianta Daniel Boestad, vice-presidente da unidade de negócio dos caças Gripen da Saab,

Com a Critical Software, a empresa sueca já está a trabalhar num simulador para treinar os pilotos do Gripen. “A Critical Software é uma love story entre os engenheiros” da Gripen, afirmou Daniel Boestad, vice-presidente da unidade de negócio dos caças Gripen da Saab, admitindo que poderão estender essa colaboração com a tecnológica nacional a outros projetos na área de software.

Com a OGMA, a companhia admite a possibilidade de, a partir de Portugal, fazer sub-assemblagem dos Gripen, ou seja, parte da fuselagem, mas, se Portugal fechar negócio com a compra de caças, isso poderá evoluir para uma colaborações mais aprofundadas tanto na área de manutenção e reparação (MRO) como para assemblagem final do caça. Esse é um modelo já executado no Brasil, mercado em que a Saab tem uma parceria com a Embraer (que controla em 65% a OGMA), depois de a Força Aérea brasileira ter adquirido Gripen para a sua frota.

O Thyssenkrupp em Portugal, a Vangest — grupo da Marinha Grande que atua em soluções de plástico para vários setores, incluindo o aeroespacial — e a Kristaltek — fornecedor de serviços de mecânica de precisão, metalomecânica, metalurgia — são as três outras empresas com as quais a Saab já está a trabalhar para o Gripen ou prestes a fechar contrato.

“Portugal tem um grande potencial. Não tem uma grande indústria de defesa, mas a que tem é brilhante”, disse Daniel Boestad. Ao ECO/eRadar, o gestor admite que a Saab ainda está a analisar mais empresas no mercado português, embora sem adiantar mais detalhes.

*Jornalista viajou à Suécia a convite da SAAB

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