Brisa afasta “por agora” impacto da crise dos combustíveis nas autoestradas
"Não consigo antecipar o que é que se vai passar nos próximos sete meses. O mundo está um pedacinho imprevisível", reconheceu o o CEO da concessionária, António Pires de Lima.
O CEO do Grupo Brisa afirmou esta sexta-feira que a concessionária não se estão a sentir “para já” no tráfego das autoestradas portuguesas os efeitos do aumento do preço dos combustíveis causado pelo conflito no Médio Oriente.
“Não estamos, pelo menos até agora, a sentir na mobilidade e na circulação das autoestradas, o impacto negativo desta crise dos combustíveis fósseis. Não consigo antecipar o que é que se vai passar nos próximos sete meses. O mundo está um pedacinho imprevisível”, afirmou António Pires de Lima, em declarações aos jornalistas à margem do evento de celebração dos 35 anos da Via Verde.
O mesmo não é possível dizer em relação às intempéries na zona Centro, que levaram até ao corte de circulação na A1, a principal autoestrada do país. “O que posso dizer é que o que mais afeta a circulação dos portugueses nas estradas e nas autoestradas é o clima. As tempestades que tivemos em janeiro e fevereiro tiveram um impacto negativo na mobilidade dos portugueses durante esses meses”, explicou Pires de Lima.
Questionado sobre as recomendações de Bruxelas para que os Estados-membros controlem a procura para evitar problemas de aprovisionamento energético, o CEO da Brisa referiu que “a qualidade de vida” e o desenvolvimento da economia vão continuar associados à mobilidade.
“É evidente que se há uma crise do petróleo neste momento e ameaça de escassez e de aumento de preços, é normal que existam orientações e conselhos no sentido das pessoas evitarem as deslocações que não são necessárias, mas, como vimos aquando da pandemia, não existe felicidade sem mobilidade. Não existe qualidade de vida sem mobilidade”, retorquiu.
“A mobilidade está associada diretamente ao crescimento económico. É desejável que se faça de uma forma cada vez mais sustentável, daí a importância da Via Verde Electric. Pode haver algum momento, como esta crise no petróleo, que recomende uma menor mobilidade”, frisou ainda.
António Pires de Lima fez referência ao legado de 35 anos da Via Verde e o seu processo de passagem para uma área mais sustentável, dando conta de que existem quase 200 postos de carregamento nas autoestradas. Atualmente, a empresa está presente em 348 parques e 66 cidades.
Negócio internacional da Via Verde vai valer até 30%
O Grupo Brisa completou a compra da Axxès, com sede em Lyon, no final do ano passado e prevê que a operação faça “praticamente dobrar faturação da Via Verde” em dois anos. Em 2026, o negócio internacional “valerá cerca de 25% a 30%” do volume de negócios da empresa de pagamentos automáticos de serviços.
Sobre a possibilidade de avançar com outras aquisições, o CEO do grupo Brisa admitiu que a empresa continua “a análise de outras oportunidades”, sem antecipar quais. Porque “o segredo é a alma do negócio”. Paralelamente, vai prosseguir a consolidação e crescimento da francesa Axxés dentro da holding.
“Acabámos de adquirir a Axxés, um líder na mobilidade B2B no centro da Europa – uma aquisição que foi concluída em novembro – e ainda estamos no primeiro ano de integração desta empresa em França, com mais de 100 colaboradores qualificados, da qual nos orgulhamos bastante”, referiu o gestor durante o evento no qual foi anunciado que a palavra Via Verde entrou no dicionário da Porto Editora.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Brisa afasta “por agora” impacto da crise dos combustíveis nas autoestradas
{{ noCommentsLabel }}