OIT nomeia um americano como número dois após meses de espera
Sheng Li, proveniente do Departamento do Trabalho dos EUA, irá dirigir e supervisionar o trabalho de 5 departamentos. Nomeação gera controvérsia uma vez que os EUA não pagam as quotas há dois anos.
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) nomeou um americano, Sheng Li, como diretor-geral adjunto, após meses de espera, apesar de os EUA não terem pago as suas quotas dos últimos dois anos. “Na qualidade de diretor-geral adjunto, Sheng Li irá liderar a área de políticas, assegurando a coerência da orientação estratégica entre as funções normativas e a elaboração de políticas”, indicou a OIT no seu site.
Esta agência da ONU permanecia sem diretor-geral adjunto desde a saída, em setembro passado, de Celeste Drake, também de nacionalidade americana. Nos últimos meses, a nomeação esperada — mas nunca confirmada — de um ex-conselheiro económico de Donald Trump, Nels Nordquist, suscitou preocupações no seio da OIT, que tinha sido vivamente criticada há alguns meses pela administração norte-americana.
Num memorando publicado no final de agosto, cujas referências à OIT foram posteriormente apagadas, os Estados Unidos tinham descrito a agência como um grupo “que trabalha para sindicalizar os trabalhadores estrangeiros e sancionar os interesses das empresas americanas no estrangeiro”.
Sheng Li, proveniente do Departamento do Trabalho dos Estados Unidos, irá dirigir e supervisionar o trabalho de cinco departamentos responsáveis pelas políticas, bem como os programas de ação prioritários da OIT.
“Continuamos à espera de esclarecimentos sobre os motivos que levaram a esta decisão, especialmente tendo em conta algumas questões ainda em aberto relativas às contribuições dos Estados Unidos”, afirmou à AFP a presidente do sindicato do pessoal da OIT, Séverine Deboos.
O diretor-geral adjunto da OIT é habitualmente americano, sendo os Estados Unidos, até agora, o principal financiador da organização, com uma quota de 22%. Mas Washington está em atraso nas suas contribuições para 2024 e 2025.
Em 24 de abril, os Estados Unidos acumulavam atrasos no valor de mais de 173 milhões de francos suíços (mais de 188 milhões de euros) relativos aos últimos dois anos, de acordo com os dados que constam no ‘site’ da OIT. Terão também de pagar a sua contribuição para 2026, que ascende a cerca de 84 milhões de francos suíços.
“Os Estados Unidos continuam em atraso nos pagamentos, tal como muitos outros Estados-membros que ainda não honraram os seus compromissos financeiros no âmbito do orçamento ordinário do presente biénio”, indicou a OIT na sexta-feira num e-mail enviado à AFP. “Estes pagamentos em atraso afetaram a tesouraria da OIT, e estamos a manter contactos ativos com os países em causa”, para encontrar uma solução “o mais rapidamente possível”, acrescentou a organização.
Em resposta às pressões financeiras, a OIT, tal como outras organizações da ONU, está a levar a cabo uma ampla reforma que prevê a supressão de cerca de 120 postos de trabalho até 2029, e de centenas de outros, caso sejam necessárias poupanças adicionais, de acordo com documentos da organização.
O encerramento de cerca de 50 projetos da OIT que dependiam de financiamento americano já levou a organização a “ter de despedir cerca de 200 membros” do pessoal, de um total de cerca de 3.500, tinha indicado o chefe da OIT em maio de 2025.
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