Polónia questiona compromisso dos EUA em defender a NATO
Donald Tusk questiona a lealdade dos EUA com a NATO e instou a União Europeia a tornar-se numa "verdadeira aliança" para garantir a proteção do Velho Continente com ferramentas e poder real.
O primeiro-ministro da Polónia, Donald Tusk, disse ter dúvidas em relação ao compromisso dos EUA com a defesa da NATO e se, caso a Europa necessite de ajuda para se defender de ataques russos, o país aliado viria em auxílio. O executivo polaco instou a União Europeia a tornar-se numa “verdadeira aliança” para garantir a proteção do Velho Continente.
“A maior e mais importante questão para a Europa é se os Estados Unidos estão preparados para serem tão leais quanto o que está descrito nos nossos tratados [da NATO]”, referiu Donald Tusk, numa entrevista ao Financial Times.
O Presidente polaco acredita que a Rússia poderá atacar um membro da aliança “nos próximos meses”, questionando se “a NATO ainda é uma organização preparada, política e logisticamente, para reagir contra a Rússia, caso tente atacar”.
As preocupações da Polónia surgem no momento em que os líderes europeus discutem a concretização do Artigo 42.º, n.º 7 da UE — que obriga as 27 nações a prestarem assistência mútua caso um membro seja vítima de agressão — sem entrar em conflito com as obrigações que os países pertencentes NATO têm de cumprir, explícitas no Artigo N.º 5 da aliança militar.
“Quero acreditar que [o Artigo N.º 5] ainda é válido, mas às vezes, claro, tenho alguns problemas. O que é preciso, se quisermos ter, e não apenas no papel, uma aliança real, são ferramentas verdadeiras e poder real no que diz respeito a instrumentos de defesa e mobilidade militar entre países”, acrescentou Donald Tusk, citado pelo jornal britânico.
EUA querem suspender Espanha da NATO
A relação entre os Estados Unidos e os aliados europeus da Organização do Tratado do Atlântico-Norte não tem sido estável, e está a ser agravada com o conflito no Médio Oriente. Donald Trump chegou a ameaçar a retirada dos EUA da Aliança, descontente com os aliados por recusarem o envio de forças militares para apoiar o país na guerra contra o Irão, e a Espanha tem sido líder vocal desta posição.
Um email interno do Pentágono apresenta opções para os Estados Unidos punirem os aliados da NATO que, na sua opinião, não apoiaram as operações norte-americanas na guerra contra o Irão, incluindo a suspensão da Espanha da aliança, revelou uma fonte oficial norte-americana à Reuters.
As opções políticas estão detalhadas numa nota que expressa frustração face à aparente relutância ou recusa de alguns aliados em conceder aos Estados Unidos direitos de acesso, base e sobrevoo — conhecidos como ABO — para a guerra com o Irão, disse o responsável, que falou sob condição de anonimato para descrever o email.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, desvalorizou o tema e sublinhou que só trabalha com documentos oficiais, considerando que “não há discussão” sobre a forma como a Espanha tem colaborado com a NATO. “Não trabalhamos com base em emails, trabalhamos com base em documentos oficiais e posicionamentos que assuma, neste caso, o Governo dos Estados Unidos”, afirmou Pedro Sánchez, em declarações a jornalistas em Nicósia, à chegada ao Conselho Europeu que decorre no Chipre.
Contudo, depois de os EUA levantarem a opção contra Espanha, a NATO esclareceu que o seu tratado fundador não prevê mecanismos para suspensão de um Estado-membro. “O tratado fundador da NATO [o Tratado de Washington] não contém quaisquer disposições relativas à suspensão da adesão à NATO, à expulsão ou à participação limitada” de um Estado-membro, afirmou hoje um porta-voz da organização militar citado pela agência de notícias Europa Press.
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