“Vítima de cancelamento”, Tiago Antunes afasta-se da corrida a Provedor de Justiça
Antigo secretário de Estado socialista, que foi próximo de José Sócrates, anuncia que não vai sujeitar-se a uma segunda votação parlamentar. Denuncia "campanhas persecutórias infundadas e ridículas".
Tiago Antunes, que tinha sido indicado pelo PS para a Provedoria de Justiça, decidiu afastar-se da corrida ao cargo e não vai sujeitar-se a uma segunda votação parlamentar. Na semana passada, o nome acordado há nove meses entre José Luís Carneiro e Luís Montenegro para substituir Maria Lúcia Amaral falhou a eleição na Assembleia da República.
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“Os deputados desrespeitam acordos, brincam com o bom nome das pessoas e alimentam campanhas persecutórias absolutamente infundadas e ridículas. Assim, não contem comigo”, escreve Tiago Antunes num artigo de opinião publicado no Expresso. Diz-se “vítima de cancelamento” e critica o PSD, que também subscreveu a sua candidatura.
O antigo secretário de Estado nos Governos de António Costa alega ainda nesta publicação que foi “alvo de uma campanha vil, assente em falsidades e absolutamente descabida”, garantindo que “não [é] nem nunca [foi] íntimo ou do círculo próximo de José Sócrates”, com quem diz não falar nem ter qualquer contacto “há mais de 14 anos.”
Entretanto, o PS disse esta sexta-feira que falará primeiro com o PSD sobre o novo nome para Provedor de Justiça, compreendendo a decisão de Tiago Antunes de sair da corrida após ter sido alvo de uma “campanha da direita mais radical”. Em declarações à Lusa, o líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, disse respeitar a decisão de Tiago Antunes de não se voltar a apresentar a eleições para o cargo de Provedor de Justiça depois de ter sido chumbado e compreender os seus argumentos do ponto de vista político, lembrando que era um nome com acordo do PSD.
“O professor Tiago Antunes foi alvo de uma campanha da direita mais radical, pressão que mais de metade da bancada do PSD não foi capaz de suportar, não cumprindo a indicação de voto do líder parlamentar”, lamentou. Segundo Eurico Brilhante Dias, “não há convites feitos” pelo PS. “Em primeira instância falaremos com o grupo parlamentar do PSD”, disse, esperando que esta eleição se possa fazer “durante o mês de maio”.
O líder parlamentar do PS referiu que quando o partido pensou nas eleições para todos os órgãos externos tinha um conjunto de pessoas que consideravam idóneas. “O professor Tiago Antunes tinha o perfil que achávamos o correto, mas temos um conjunto de outros nomes identificadas com perfil e entre os quais vamos agora escolher”, apontou.
(Notícia atualizada às 11h24 com a reação do líder da bancada socialista)
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